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Youssef acertava propina com executivo da Odebrecht, diz emissário do doleiro

Segundo Rafael Ângulo Lopes, companheiro de viagens de Lula na empreiteira informava contas no exterior para depósitos

O carregador de malas de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopes, disse em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o chefe discutia pagamentos de propina com o executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar. Preso da 14ª fase da Operação Lava Jato, Alencar deixou a empresa na última segunda-feira – ele ocupava o cargo de diretor de Relações Institucionais.

Companheiro de viagem do ex-presidente Lula em empreitadas pagas pela Odebrecht ao exterior, Alencar está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Investigadores que atuam na força-tarefa da Lava Jato acreditam que ele atuava como distribuidor de vantagens ilícitas em nome da Odebrecht no escândalo do petrolão.

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O depoimento de Ângulo Lopes, que concordou em fechar um acordo de delação premiada, só foi divulgado nesta quarta-feira. “Com certeza era um acerto de contrato de propina e de transferência de valores no exterior”, disse ele. De acordo com o relato do auxiliar do doleiro, Youssef entregava ao executivo as contas bancárias situadas no exterior para que os depósitos de propina fossem feitos. No depoimento, não há citação dos destinatários do dinheiro sujo, mas Rafael Ângulo diz ter ele próprio também levado números de contas bancárias a Alexandrino na Braskem. Depois da transferência dos valores, os comprovantes dos depósitos de propina eram entregues pelo próprio executivo, sendo que, “em geral”, a própria Braskem fazia as transferências internacionais.

A partir de 2011, quando Alexandrino Alencar já estava na Odebrecht, os comprovantes de depósitos eram retirados por Ângulo Lopes na própria empreiteira. Ele disse que ia “no mínimo” duas vezes por mês ao encontro de Alencar, que se comunicava em “telefones exclusivos” com o doleiro Alberto Youssef, registrados com os codinomes Primo e Barba.

Na manhã desta terça, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também prestou depoimento sobre Alexandrino na Polícia Federal em Curitiba e confirmou que o executivo negociou com o doleiro Alberto Youssef e com o ex-deputado federal José Janene (PP-PR) o pagamento de 3 a 5 milhões de dólares em propina, entre 2006 e 2012.

“[Paulo Roberto] recorda-se de ter participado de uma reunião em um hotel de São Paulo em que estavam o declarante, [José] Janene e Alexandrino, sendo que nessa oportunidade foi tratado de forma clara o assunto relacionado ao pagamento de vantagens ilícitas em troca de benefícios a Braskem na compra de nafta da Petrobras”, diz trecho do depoimento do ex-dirigente.