Servidores entregam cargos em protesto à manutenção de ministro da CGU

Chefes das Regionais em todos os Estados decidiram pedir demissão para pressionar o governo interino a tirar Fabiano Silveira, que teve conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro

Cerca de 200 servidores do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle – entre eles os chefes das Controladorias Regionais da União em todos os Estados – decidiram entregar os cargos nesta segunda-feira em pressão pela demissão do ministro Fabiano Silveira, flagrado em conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, dando orientações de defesa na Operação Lava Jato a ele e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), seu padrinho político.

Conforme a Unacon Sindical (Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle), os documentos só serão protocolados quando o presidente interino Michel Temer (PMDB) confirmar oficialmente a permanência de Silveira. Temer telefonou nesta segunda-feira para Silveira e o convidou a ficar no cargo, depois de uma série de reuniões no Palácio do Planalto.

No texto, os analistas e técnicos que ocupam funções comissionadas de chefia, direção e assessoramento afirmam que “entregam publicamente esses cargos e funções, caso o presidente interino Michel Temer não o exonere imediatamente do cargo que exerce”. “O Sr. Fabiano não preenche os requisitos de conduta para estar à frente de um órgão que zela pela transparência pública e pelo combate à corrupção”, diz um trecho do documento. Em protestos ao longo do dia na sede da antiga CGU e em frente ao Palácio do Planalto, eles rechaçaram a “ingerência política” no órgão.

Os servidores também cobram a manutenção no cargo do secretário executivo, Carlos Higino, e a revogação da transformação da Controladoria-Geral da União (CGU) em ministério, por meio da Medida Provisória 726/2016. O ministro Fabiano Silveira avalia se concederá uma coletiva de imprensa ainda nesta segunda.

“Embora não conseguimos colher a assinatura de todos os chefes, por causa de afastamentos, férias ou licença médica, todos os 26 chefes regionais, bem como mais de 95% dos chefes de divisão e chefes de serviços das unidades regionais, confirmam a disposição de entregar, coletivamente, os cargos, caso a situação perdure”, afirma o documento do sindicato.

De acordo com a assessoria do ministro, ele ainda não decidiu se vai permanecer no cargo, depois de ter recebido aval de Temer para ficar.