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Força-tarefa investiga envolvimento de Capez na máfia da merenda

Presidente da Assembleia Legislativa foi citado em depoimento por envolvidos na fraude. Ele nega. Chefe do MP paulista comandará as apurações

O Ministério Público de São Paulo criou uma força-tarefa para investigar o envolvimento do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSSB) no esquema de fraude na compra de merenda escolar por prefeituras de pelo menos 22 prefeituras paulistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Conforme revelou a coluna Radar, de Vera Magalhães, a operação Alba Branca, da Polícia Civil, resultou na última terça-feira na prisão de seis pessoas suspeitas de fraudes em contratos para o fornecimento de merenda em troca de pagamento de propina para agentes públicos. O caso envolve acusações contra quatro deputados e o ex-chefe de gabinetes da Casa Civil do governo de São Paulo.

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Ainda segundo o Radar, interceptações telefônicas dos integrantes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), de Bebedouro, que comandava o esquema, e depoimentos dos presos citam, além de Capez, os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB) e o deputado estadual Luiz Carlos Gondim (SD). Também é citado o ex-chefe de gabinete da Casa Civil paulista Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”, demitido na segunda-feira, que aparece diretamente nos grampos telefônicos conversando com membros da quadrilha e pedindo dinheiro e eletrodomésticos aos investigados.

Segundo o jornal, a força-tarefa será presidida pelo próprio procurador-geral de Justiça de Sçao Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa. O grupo contará ainda com a participação dos procuradores Nelson Ginzafa, ex-corregedor do MP, Nilo Spinola Salgado Filho e dois promotores da cidade de Bebedouro, no interior do Estado, uma das cidades em que o esquema atuou.

Apesar de envolver contratos em prefeituras, o principal interesse financeiro da Coaf eram os milionários pagamentos feitos pela Secretaria de Educação estadual. Vice-presidente da Coaf, Carlos Alberto Santana da Silva, conhecido como Cal, declarou que houve propina de 1,94 milhão de reais em um contrato do governo paulista do ano passado. “Ocorreu este tipo de esquema com o governo de Estado em 2015, numa venda de 7,76 milhões de reais, sendo que acredita que também neste caso a propina girou em torno de 25%”. O presidente da Alesp nega qualquer participação no esquema.