Em PE, Dilma incita nordestinos contra o PSDB

Com Lula, presidente-candidata disse que tucanos consideram nordestinos 'ignorantes' e cutucou: 'Diante da maior seca, temos condições de viver aqui em vez de ficar catando pingo d’água por aí'

Atualizada às 18h00

Em campanha no Estado de Pernambuco nesta terça-feira, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) incitou moradores de Petrolina a “ignorar” o PSDB e reforçou a artilharia petista que acusa os tucanos de ter preconceito com o Nordeste. Dilma também afirmou que, ao contrário da população do semiárido nordestino, uma das regiões que historicamente mais sofrem com a seca no país, o Estado de São Paulo, governado por Geraldo Alckmin (PSDB), não se preparou para enfrentar a crise hídrica.

“Estamos mudando a realidade do semiárido. Essa é uma das regiões mais importantes do país, apesar do que acham os tucanos. Os tucanos falaram que os votos que eu recebi no semiárido e no Nordeste eram de pessoas ignorantes. Nós somos ignorantes porque ignoramos os tucanos”, disse Dilma, em comício na cidade de Petrolina, na manhã desta terça-feira. “Nós não reconhecemos nos tucanos alguém que fez uma política a favor de nenhum Estado brasileiro, muito menos no Nordeste. Eles têm uma visão ultrapassada do Brasil e não sabem que essa região está mudando pelo braço, a garra e o esforço de seu próprio povo e pelas oportunidades que os governos do presidente Lula e o meu governo fizeram aqui no semiárido. No dia 26, não vamos deixar tucano voando e contando mentira por aí”, pediu Dilma.

Além de atacar o PSDB, Dilma exaltou o enfrentamento da seca no Nordeste e programas como Bolsa Família. Ela afirmou que “O Estado mais rico do Brasil, o Estado de São Paulo não se preparou para a seca. Vocês do Nordeste se prepararam. Hoje, diante da maior seca nós temos condições viver aqui em vez de ficar catando pingo d’água por aí. As cisternas são uma benção que vocês construíram conosco”.

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Dilma também visitou nesta terça-feira a fábrica de automóveis do grupo Fiat/Chrysler em Goiana, cidade na Zona da Mata de Pernambuco. Ela e Lula foram recebidos pelos operários da fábrica com gritos e saudações – a operação praticamente parou para receber a comitiva de Dilma. Ao lado do ex-presidente, Dilma fará ainda, uma caminhada no centro da capital pernambucana – Recife deu vitória a Marina Silva (PSB), agora apoiadora de Aécio, no primeiro turno. “O povo pernambucano é extremamente politizado. Ele vai olhar e vai pensar, a troco de quê? O que os tucanos fizeram no Nordeste? Aliás, os tucanos olham o Nordeste com preconceito. Como eles me acusaram de ter voto aqui, disseram que nós recebíamos voto da parte mais ignorante do Brasil. Isto é a maior demostração de elitismo possível. É não compreender a transformação que o Nordeste sofreu nos últimos doze anos”, afirmou Dilma.

A indústria automobilística foi parar no centro do debate eleitoral há cerca de um mês, quando o oposicionista Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, acusou os governos Dilma e Lula de “tirar empregos da gente pobre de Minas Gerais”. No fim do segundo mandato de Lula, o ex-presidente petista editou uma Medida Provisória que facilitou a instalação da automobilística em seu Estado natal, apesar de o governo mineiro ter acertado antes, com os executivos da empresa, que a fábrica seria construída em Minas. O grupo Fiat/Chrysler transferiu o investimento para Pernambuco. Aécio também criticou o veto de Dilma, posteriormente, a benefícios fiscais no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri, no norte mineiro, para indústrias fabricantes de autopeças da mesma cadeia de produção.

As críticas de Aécio passaram a ser usadas pela propaganda petista contra o tucano em Pernambuco. Moradores de Goiana receberam vídeos pelo aplicativo Whatsapp contra Aécio. Carros de som da petista também circulam com ataques a Aécio, insinuando que ele é contra o desenvolvimento do Estado.

A fábrica de automóveis, que entrará em funcionamento no início de 2005 e produzirá carros Jeep, é tida como um fator de desenvolvimento local. De acordo com a assessoria de imprensa da holding Fiat/Chrysler, a planta de Goiana gera mais de 9 000 empregos. A sua “paternidade” política também foi ponto de disputa entre Dilma e o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, então candidato à Presidência, morto em acidente aéreo em agosto.