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Defesa pede à Justiça internação imediata de Cerveró

Ex-diretor da Petrobras precisou ser atendido após a sua pressão arterial subir na última quarta-feira; ele está preso na carceragem da PF, em Curitiba

A defesa do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró pediu à Justiça Federal que ele seja internado imediatamente. O ex-dirigente, que sofre de diabetes e hipertensão, está preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 14 de janeiro. Na petição, os advogados argumentaram que o médico particular de Cerveró se mostrou preocupado com a sua saúde, segundo a Agência Brasil.

Na quarta-feira, o ex-diretor precisou ser atendido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após a sua pressão arterial subir por causa de uma crise de ansiedade. Em outro pedido feito à Justiça nesta semana, a defesa requisitou autorização para Cerveró iniciar um tramento contra depressão.

A prisão do ex-diretor foi decretada porque a Polícia Federal e o Ministério Público Federal avaliaram que ele tentava blindar seu patrimônio do alcance da Justiça. O episódio mais recente ocorreu no dia 16 de dezembro, quando ele tentou sacar quase 500.000 reais de um fundo de previdência privada. Dois dias antes, Cerveró havia sido denunciado à Justiça Federal do Paraná sob a acusação de ter recebido mais de 30 milhões de reais em propina pela contratação de sondas da Samsung Heavy Industries. O ex-diretor é considerado um dos elos do PMDB na estatal e investigado por negociatas milionárias em que há suspeita de desvio de recursos públicos.

O resgate antecipado de um plano de previdência privada não foi a única operação atípica que motivou a prisão de Cerveró. Como revelou reportagem de VEJA, o ex-diretor morou por cinco anos em um imóvel registrado como propriedade de uma off-shore do Uruguai. Os investigadores suspeitam que o apartamento foi adquirido com recursos de origem ilícita e que ele era o verdadeiro dono do imóvel, ocultando a propriedade para evitar problemas com a Justiça. Em junho do ano passado, o ex-diretor já tinha tomado outra iniciativa que, na prática, escondia bens do alcance da Justiça – ele transferiu três imóveis para os filhos.

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