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Biometria falha na volta do recesso dos vereadores de SP

Novo sistema de verificação através de digitais foi implantado após denúncias de fraude na presença de parlamentares em plenário

Vereadores de São Paulo lotaram o plenário da Câmara Municipal nesta quarta-feira, na volta do recesso. Um mês após o jornal O Estado de S. Paulo revelar que funcionários da Mesa Diretora assinalavam nomes de parlamentares ausentes no painel eletrônico, 51 dos 55 vereadores participaram da sessão ordinária. No primeiro dia de funcionamento do novo modelo de marcação de presença e de voto, porém, o sistema de biometria – responsável pela leitura das digitais – apresentou falhas. Sem a “ajuda” dos servidores, cerca de 25% dos parlamentares tiverem de pedir presença no microfone. A movimentação no plenário teve início antes mesmo da abertura da sessão. Às 14h55, 13 vereadores já aguardavam sinal verde para assinalar seus nomes. O primeiro a marcar foi Gilberto Natalini (PV), que elogiou a mudança. “Dá mais transparência.” Com o fim da senha pessoal, alguns parlamentares tiveram dificuldade para usar o sistema de biometria. “Precisei pôr mais de um dedo para fazer funcionar”, disse José Américo (PT). Outros tiveram de apelar à Mesa, solicitando a marcação pelo microfone. Às 15h07, dez parlamentares faziam fila para registrar o pedido. Apesar das queixas, a Câmara disse que o sistema funciona e falhas são comuns. Não foi a única alteração. Ontem parlamentares já não puderam mais marcar presença em um terminal ao lado de seu elevador exclusivo. O aparelho foi retirado depois de denúncias mostrarem que parte dos vereadores, mesmo sem pisar no plenário, usava o artifício para evitar desconto de 465 reais na folha de pagamento. A terceira mudança envolve diretamente o grupo de funcionários que fraudava o painel. Portaria publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da Cidade reduziu a participação do assessor parlamentar José Luiz dos Santos, conhecido como Zé Careca, e de outros dois funcionários do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) que participavam do esquema. Durante as sessões, eles foram substituídos pela Mesa Diretora, que investiga as fraudes. Em junho, a reportagem do jornal flagrou 17 dos 55 parlamentares cometendo irregularidades. A partir de agora, o painel será comandado não apenas pelo CTI, mas também pela Secretaria Geral Parlamentar e pelo Centro de Comunicação Institucional (CCI). Nenhum funcionário aceitou comentar as mudanças. Procurado, Zé Careca também se negou a falar. Presentes – Na volta das férias, pelo menos durante a sessão ordinária, o novo sistema conseguiu manter em plenário boa parte dos vereadores que haviam sido flagrados pela reportagem. Juliana Cardoso (PT), Antonio Carlos Rodrigues (PR) e Edir Sales (PSD), por exemplo, estiveram presentes do início ao fim da sessão. Já na extraordinária, as cadeiras voltaram a esvaziar. Na abertura, o placar mostrava 38 presentes. (Com Agência Estado)