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Facebook dá primeiro passo para oferta pública de ações

Empresa de Mark Zuckerberg, de 27 anos, solicita abertura de capital a órgão regulador americano. Estima-se que valor da companhia chegue a US$ 100 bi

Por: Por Renata Honorato - Atualizado em

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook
Mark Zuckerberg: jovem fundador do Facebook deverá tomar mais cuidado com suas decisões(Justin Sullivan/Getty Images/VEJA)

O Facebook, maior rede social do planeta, deu nesta quarta-feira o primeiro passo para sua entrada oficial na bolsa de valores. A empresa apresentou à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado financeiro americano, documentação que rascunha suas finanças e socilita autorização para fazer a oferta inicial de ações (IPO) a investidores. O processo até lá deve consumir no mínimo um mês.

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A empresa, fundada em 2004 por Mark Zuckerberg, então com 19 anos, pretende captar com a oferta de papéis 5 bilhões de dólares, o que fará da operação a maior IPO da história da internet. Isso elevaria o valor de mercado da companhia a cerca de 100 bilhões de dólares, calculados a partir de participações de acionistas da empresa de capital fechado e de aportes feitos ao longo de oito anos por investidores de risco, bancos especializados e até companhias como a Microsoft. Segundo relatório apresentado à SEC, a rede fechou 2011 com uma receita (majoritariamente publicitária) de 3,71 bilhões de dólares - 88% superior à registrada no ano anterior -, além de 845 milhões de usuários cadastrados em todo o mundo. Embora a publicidade seja a maior fonte de receita, são os usuários - e suas informações - a maior joia da rede de Zuckerberg. Também em 2011, o Facebook registrou lucro de 1 bilhão de dólares.

Zuckerberg - que abandonou o curso de ciência da computação e um dormitório desarrumado na Universidade Harvard para tocar a companhia incipiente na Califórnia - ficará, com a operação, um pouco mais bilionário. Ele detém 28,4% da companhia, novamente segundo o relatório oficial do Facebook, o que o torna o maior acionista individual da empresa. Caso o valor da companhia de fato atinja os 100 bilhões de dólares, ele acumularia a bolada de 28 bilhões de dólares em ações. No ano passado, a título de bônus, salários e outras remunerações como presidente executivo, ele recebeu 1,49 milhão de dólares, valor similar ao pago pela Apple a seu CEO, Tim Cook.

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números do Facebook
(VEJA.com/VEJA)

O processo de IPO e a futura captação de recursos devem ser capitaneados por seis tradicionais bancos de investimento de Wall Street: Morgan Stanley, J.P. Morgan, Goldman Sachs, BofA Merrill Lynch, Barclays Capital e Allen & Co. A captação inicial é projetada com base no número de papéis oferecidos na bolsa - que são apenas uma fração do total de ações disponibilizadas ao público que deseja ter uma participação na rede social.

Divulgação
(Divulgação/VEJA)

Contudo, a definição de valores ainda pode levar tempo. Feito o pedido de autorização para IPO na SEC, o Facebook terá de aguardar o sinal verde do órgão regulador americano para dar sequência ao processo. Segundo Celina Ramalho, professora da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), a comissão é formada por analistas de mercado autônomos, que avaliam a situação jurídica e patrimonial da empresa a partir do prospecto, um dossiê de documentos organizado pela própria companhia.

Após receber sinal verde da instituição, em prazo estimado em 20 dias, a companhia se reúne ao seu banco de investimento para apresentar seu prospecto a grandes investidores. Nessa fase, é definido o preço das ações. "É a companhia em questão quem decide, inclusive, em que bolsa irá atuar (Nasdaq ou Bolsa de Nova York) e quando fará, definitivamente, a sua estreia no mercado financeiro", explica Fernando Galdi, professor da Fundação do Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Mudanças à vista - Na prática, a IPO muda muita coisa no Facebook. Segundo Fernando Belfort, analista da consultoria americana Frost & Sullivan, a oferta de ações ao mercado traz mais responsabilidade ao fundador da rede, Zuckerberg, que terá de mudar sua postura diante da opinião pública.

"Tudo o que Zuckerberg falar pode influenciar no valor da empresa. Como ele é muito jovem, a companhia terá de melhorar a sua comunicação", explica ao lembrar que a estratégia da rede social também terá de ser repensada, conforme afirma Belfort. "A partir do IPO, ela terá de avaliar melhor cada nova implementação e cada mudança em sua plataforma, afinal qualquer deslize representará queda em suas ações."

Com reportagem de James Della Valle

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