Vida Digital
Entrevista: Bob Stein
Atual mercado de livros vai falir, diz estudioso americano
Ele diz que editoras são resistentes a inovações como os leitores eletrônicos. Já os leitores deverão ser beneficiados pela tecnologia
(Arquivo pessoal)
"A internet mudou os modelos de negócio na indústria da música, na indústria do vídeo e não há razão para não mudar o modelo de negócio na venda de livros"
Durante os últimos 30 anos, o americano Bob Stein vem se dedicando a aproximar o livro em seu formato tradicional, o papel, das inovações tecnológicas. Ele foi, por exemplo, artífice da primeira publicação em CD-ROM e acompanhou a gestação e evolução do leitor de livros eletrônicos, o e-reader - caso do Kindle, da livraria virtual Amazon. De olho na ascensão do e-book e de novos leitores, como os tablets, ele faz uma previsão nada animadora para as engrenagens do atual mercado livreiro, apoiado na impressão e distribuição do papel: "Essa estrutura econômica atual irá falir", diz Stein, que hoje dirige o Institute for the Future of the Book. Ao mesmo tempo, a previsão é animadora para os leitores. "Quando você estiver lendo uma obra on-line, por exemplo, poderá compartilhá-la via Twitter e Facebook. Os livros serão mais emocionantes e permitirão uma conversa muito mais social entre os leitores." Pouco antes de vir ao Brasil, no recente Fórum da Cultura Digital, promovido pelo Ministério da Cultura e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, ele concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA.
2010 é o ano do e-book?
Eu acho que 2010 será o começo, ou seja, o ano em que trocaremos a base impressa de leitura pela eletrônica. Essa transformação começou há dois anos. Mas se olharmos os números, especialmente em lugares como os Estados Unidos, onde o Kindle foi lançado, em 2007, perceberemos que somente neste ano estão sendo relatadas vendas elevadas de livros eletrônicos em espaços digitais - o contrário do que acontece com os livros tradicionais na internet.
O que mudou no setor editorial após a chegada do Kindle?
Infelizmente, não aconteceram mudanças suficientes.
Por quê?
As editoras são muito resistentes em mudar a interface de seus produtos. A internet mudou os modelos de negócio na indústria da música, na indústria do vídeo e não há razão para não mudar o modelo de negócio na venda de livros. As editoras ainda se mantêm porque há um número razoável de lojas físicas que vendem livros impressos, mas, quando esse número começar a cair, elas terão de reconhecer que as pessoas não estão dispostas a gastar muito dinheiro com livros eletrônicos, a exemplo do que acontece hoje com os livros tradicionais. Então, o preço dos livros eletrônicos, que ainda é alto, cairá.
As editoras não estão preparadas para a nova fase dos e-books?
Elas não estão preparadas para a popularização dos e-books e para a superação dos livros impressos pelos digitais. Elas falam que estão se adaptando, mas não pensam em novos modelos de negócio. Essa estrutura econômica atual irá falir.
O senhor acha que o Kindle é o melhor leitor eletrônico do mercado?
Não. Eu acho que o Kindle é, na verdade, o pior dispositivo. Suas páginas não são vivas como as de papel. Além disso, ler em uma tela como a do iPad, do iPod Touch ou do iPhone é mais satisfatório para muitas pessoas.
Por quê?
Os textos nas telas de LCD são mais vibrantes. Também não acho que seja necessário existir um dispositivo exclusivo para a leitura.
Afinal, qual será o futuro do livro como o conhecemos hoje?
O futuro do livro segue em duas direções. O livro impresso se transformará em um objeto de arte. Em outras palavras, pessoas abastadas poderão comprar lindas versões de livros impressos. Eles terão mais ilustrações e servirão como um souvenir. Já a maioria dos livros terá como padrão o formato digital. Você poderá imprimi-lo, se quiser, e a leitura se tornará muito mais social e dinâmica. Quando você estiver lendo uma obra on-line, por exemplo, poderá compartilhá-la via Twitter e Facebook. Os livros serão mais emocionantes e permitirão uma conversa muito mais social entre os leitores.
O que o Institute for the Future of the Book pode fazer por isso?
Meu objetivo é dar opções aos autores de se expressarem através de fotos e vídeos, como uma forma diferente e flexível de manifestar ideias complexas. Estou falando de vídeo, texto e áudio, que juntos permitem uma melhor assimilação. Então, essa mídia enriquecida possui um poder complexo e valioso e seu resultado é muito mais eficiente.







Comentários
Gislaine Fraga
Espero, sinceramente, que o livro impresso nunca acabe. Os viciados por tecnologia fiquem com seus kindles,tablets, baterias, carregadores, dispositivos, o que seja...o prazer de ler um livro impresso,e carregá-lo (por mais pesado que seja) é algo insubstituível, e somente que ama leitura entende.
03.09.2011
carlos
Não entendo essa revolta de alguns. O livro não vai acabar, só a forma que vai ser em dispositivos eltronicos, bem melhores. Quem fala em cheiro esquece dos bolores e ácaros que se formam nos livros quando muito tempo nas estantes. Já estou vendendo os meus pra um sebo aqui em Fortaleza a medida que os baixo pra meu IPad. E (..)
31.08.2011
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Paula
Já é a segunda vez que ouço algo do tipo. Discordo totalmente. Nada mais gostoso do que passar uma tarde na livraria escolhendo o livro, sentindo as folhas, o cheiro de livro novo. Nada mais gostoso do que folear página por página, sentindo a história. Ler numa tela não é agradável e cansativo. Os leitores podem até aproveit(..)
03.12.2010
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Horacio Corral
Esse papo de 'Arrependam-se pois o Fim dos Dias/Livro esta próximo', pode até vender algumas revistas a mais mas pouco diz sobre a real natureza do mercado do livro. Se você que leu esta matéria tem real interesse no assunto procure qual outro artigo sobre o mesmo tema e notará rapidamente que o que o Bob Stein diz vai contr(..)
03.12.2010
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Sandro
Para os saudosistas que gostam de "folhear um livro" eu só lamento. Nem consigo mais ler um livro de papel, são pesados, me dão sono. Nada como ler em uma boa tela de LCD. Quem não se atualizar vai virar dinossauro... EXTINTO!!!
30.11.2010
Gilberto Barros Lima
A discussão sobre o futuro do livro é muito interessante. Também aprecio os livros impressos, eles me dão mais vida e curiosidade, porém vivenciamos tempos que a tecnoliga domina cada vez mais nosso hábitos. Acredito que um dia o livro eletrônico dominará nosso cotidiano e os livros impressos serão como nossos velhos Long Pl(..)
30.11.2010
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Alexandre
Este estudo puxa farinha para o lado o e-book. Forçando a barra. Sou proprietário de livraria em Curitiba, e pela pesquisa informal que realizamos com nossos clientes, o livro impresso se mostra insubistituível.
30.11.2010
Fernandes
Tudo bem. As editoras não estão preparadas, mas acho que esta nem é a questão principal, e sim a pirataria. Quem vai cuidar para que tudo não vire pirataria.
29.11.2010
Gustavo
Este Senhor esqueceu que quando a bateria de um Ipad, Ipod, Ebook, Laptop e etc. acaba, eu ainda continuo tendo meu livro, nada substitui o prazer de um livro e suas folhas, talvez a proxima geracao, que nao sabe ler, a geracao do video game acabe com o livro, nao a nossa.
29.11.2010
Marco Giroto
Ano passado quando fui convidado para uma palestra na Biblioteca Nacional, eu disse que o livro em papel acabaria em 10 anos. O pessoal queria me linchar de lá. O que temos que ter em mente é que o Livro nunca vai acabar, ele vai apenas mudar de formato, ou seja, do papel (salvando muitas árvores), para o formato eletrôn(..)
29.11.2010
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João Scortecci
Institute for the Future of the Book? Quanta besteira para uma única bola de cristal.
29.11.2010
Gabriel
Realmente nada substitui um bom livro,o gosto de folhear pagina por pagina, o trabalho da capa. Fali! creio que é impossível.
28.11.2010
Daniel
Esse senhor está errado. Nada supera o prazer de ler um bom livro. O custo dele é menor do que esses meios eletrônicos e penso, não força tanto a vista.
28.11.2010
Luis Eduardo
O livro impresso pode a ter diminuir sua demanda, mas não ira se tornar souvenir, porque alem disso ele é um símbolo e a fonte de cultura. Ira demorar muito para que isso seja adaptada pelo livro digital
28.11.2010
Francisco
Esse estudo esconde muito mais do que esclarece. É querer forçar a barra. Pode até ser que o jornal impresso acabe um dia, mas o livro em si, acho muito improvável.
24.11.2010
Natália
Não há nada comparado ao prazer de folhear um livro!
24.11.2010
Gilberto
Não sinto falta do LP, gosto do CD e não baixo música. sentirei falta de sentar e ler um livro.
24.11.2010
Gustavo
Faltou ao senhor acima dizer que ler numa tela é uma coisa horrorosa, incomparável (com a tecnologia disponível atualmente) a ler em um livro de papel. Eu passo horas a fio, todos os dias, lendo no computador. Já li dezenas de livros digitais. É horrível. Faço isso quando não à disposição o exemplar em papel. As telas cans(..)
24.11.2010
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Luciano
A resistência não é só das editoras. Ainda existe uma certa mistificação no livro impresso. É comum encontrar-se pessoas com ciúmes dos seus livros. Não ceder um arquivo digital não teria o mesmo impacto. Acredito que essa mudança ocorrerá mais fortemente no momento que estas tecnologias ingressarem no livros didáticos em g(..)
24.11.2010
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rosely
Quero saber: a tecnologia de daqui a 15 anos permitirá que eu leia meu e-book livro que eu comprei hoje? Como faço com os livors da minha singela coleção e de vez em quando gosto de reler ou buscar algo? Ou seja, como fica a tal da portabilidade? Terá o efeito de se folhear as páginas que meus livros me dão? Não gosto de ser(..)
24.11.2010
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André Gerardi
Acretido que o velho e bom livro nunca vai cair. O fomato digital é um tanto limitado, e necessita de uma parafernalha tecnológica inacessivel pelo menos no Brasil. Prefiro o tradiconal livro.
24.11.2010