27/08/2010 - 20:29
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FeSBE 2010

Subnutrição da mãe afeta saúde do filho para toda a vida

Pesquisadores da Unesp-Botucatu mostram que a saúde dos adultos pode ser definida desde o momento da gravidez. Agora, eles querem ajudar as mães a ter filhos mais saudáveis

Marco Túlio Pires, de Águas de Lindóia
À esquerda, o rim saudável. À direita, o órgão com 70% da capacidade de processamento do sangue.

À esquerda, o rim saudável. À direita, o órgão com 70% da capacidade de processamento do sangue. (Flávia Fernandes Mesquita)

O organismo de mães que têm vidas estressantes prejudica o desenvolvimento do próprio filho

A saúde de um adulto depende diretamente das condições que sua mãe teve durante a gestação. “Mães que passam por condições adversas durante a gestação, como a má alimentação e o stress, poderão ter filhos com problemas cardiovasculares, renais e hormonais”, afirma Patricia Bôer, doutora em clinica médica pela Unicamp e pesquisadora da Unesp-Botucatu. Há quatro anos ela estuda como essas situações estressantes na gestação podem ser um fardo por toda a vida adulta. Em pesquisas de laboratório, Patricia descobriu que a subnutrição em ratas gestantes influencia a formação dos rins, do coração e até de regiões no cérebro dos filhotes e animais adultos.

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A ideia de que fatores externos à gravidez influenciam a saúde mesmo depois de adulto existe desde o fim da década de 1960. De acordo com Patricia, a natureza prepara o indivíduo durante a gestação de acordo com a condição da mãe. “Se a mãe viver em um ambiente cheio de predadores e, portanto, sob muito stress, a natureza entende que o indivíduo precisará ter características semelhantes, caso contrário não conseguirá sobreviver”, diz Patricia.

De acordo com o estudo, o feto é protegido dos hormônios de stress da mãe, chamados glicocorticoides. Esses hormônios são responsáveis por orientar o crescimento e amadurecimento das células que formam o indivíduo. Como a mãe possui um ritmo diferente de amadurecimento do filho, não seria saudável que os hormônios dela interferissem no crescimento da criança. Por isso, o feto é protegido por uma enzima na placenta. Mas o organismo de mães que têm vidas estressantes perde a capacidade de impedir que o glicocorticoide materno atinja o bebê.

Resultado: alguns órgãos se desenvolvem prematuramente e depois causam problemas na fase adulta. Se o rim for afetado, na vida adulta as chances de possuir hipertensão aumentam. “Provavelmente por isso que há a morte súbita de alguns jogadores de futebol. Alguns deles podem ter tido uma gestação problemática e a natureza não preparou o corpo deles para o ritmo de vida e alimentação que possuem, causando um colapso que leva à morte”, explica Patricia. É como se uma lâmpada de 60w funcionasse a 80w, funcionando acima da sua capacidade.

Subnutrição — A pesquisa da Unesp verificou três características em comum nos ratos adultos que sofreram com a subnutrição das mães durante a gestação. A alimentação foi escolhida como fator de stress porque, segundo dados divulgados pela pesquisadora, em 2008, cerca de 35% das gestantes do Brasil eram anêmicas. As mamães-ratas ganharam menos comida. A primeira consequência foi a formação prematura do rim, resultando em um órgão com apenas 70% da capacidade se comparado com um indivíduo normal.

Isso quer dizer que o rim não consegue filtrar a mesma quantidade de sangue e não consegue regular a pressão sanguínea, gerando um quadro de hipertensão na vida adulta. “Por causa da alta pressão no sangue, o coração é obrigado a trabalhar mais rápido”, explica Patricia. Em consequência disso, os pesquisadores identificaram um aumento da parte esquerda do coração, elevando o número de receptores de agentes que estimulam a hipertensão, gerando um ciclo vicioso. Já no cérebro dos animais, a região responsável pela resposta ao stress é superestimulada. Quando adultos, eles são mais tensos e estressados que os normais.

Agora, os pesquisadores da Unesp querem saber exatamente quais são os mecanismos biológicos que alteram a formação desses órgãos em indivíduos jovens e adultos. “A ideia é estabelecer como deve ser a nutrição dessas mães, tendo em vista como o corpo de seus filhos será programado para que eles tenham melhor qualidade de vida e menos problemas de saúde”, afirma Patrícia.

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Fábio Rezeck

Olá. Sou psicólogo e desenvolvo pesquisas para avaliar os estados de humor de pacientes hospitalizados. Ao ler essa matéria não pude deixar de associar os aspectos biológicos aos traços de personalidade individuais, sobretudo porque nós nascemos com esses traços, que, de acordo com essa pesquisa, podem se desenvolver a parti(..)

01.09.2010

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Rogéria Peixoto Lemos Rodrigues

Veja, informa, acrescenta gerando melhor qualidade de vida. Obrigada, pelo cuidado para com todos nos humanos!

31.08.2010

Wellerson

ADOREI essa matéria!!!!!!!!!!!!!!!!!!

29.08.2010

 

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