Tarja desafios brasileiros saúde pública
 
26/08/2010 - 07:07
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Desafios brasileiros

Gestão é o remédio que a saúde precisa

Natalia Cuminale

Criado em 1988, o Sistema Único de Saúde tinha um objetivo claro: universalizar o atendimento aos brasileiros, que, em troca, pagam altos impostos. Como é de conhecimento público, não foi isso o que aconteceu. Passados 22 anos, usuários enfrentam filas e esperam meses e até anos para conseguir realizar uma cirurgia eletiva - os procedimentos não emergenciais. Seria ainda pior se parte da população - 26,3% - não tivesse abandonado o SUS, pagando um valor extra por planos privados de saúde.

Especialistas são unânimes quanto ao remédio que poderia curar o SUS: mais dinheiro. Nas contas de Ligia Giovanella, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, ligada à Fundação Oswaldo Cruz,o Brasil precisaria ao menos dobrar os recursos destinados ao setor. Mas não é fácil, uma vez que boa parte do Orçamento federal é comprometida com outras despesas. E não é tudo. Além de mais dinheiro, o SUS precisa de mais gestão. "É necessário um reordenamento do destino dos atuais gastos, priorizando o investimento em setores que dinamizem o setor", diz Lígia Bahia, professora de Saúde Pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O desejado choque de gestão deveria começar pela própria administração do sistema, defendem especialistas. "Os gestores do SUS são, em sua maioria, indicados por motivos políticos, mas a saúde é uma área que requer conhecimento técnico amplo em todas as etapas: planejamento, execução e avaliação dos resultados", diz Newton Lemos, consultor em Serviços de Saúde da Organização Mundial da Saúde. "Não é uma coisa que qualquer profissional – que não de carreira – pode fazer".

Outro alvo de mudanças seria o programa Saúde da Família, que fornece atendimento básico à população previamente inscrita. Atualmente, apenas 50% das famílias brasileiras fazem parte do programa - o ideal seriam 80%. Atender mais gente demandaria mais médicos, estrutura e, portanto, recursos? Óbvio. Contudo, nas contas dos especialistas, o investimento seria compensado pela economia advinda dos frutos do atendimento preventivo. Por exemplo: ao invés de um cidadão procurar um hospital quando já se encontra doente, o que demanda um tratamento caro, ele receberia cuidados permanentes e prévios.

"Estender o acesso ao médico da família é uma estratégia importante", afirma Gastão Wagner de Souza, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-secretário executivo do Ministério da Saúde. "Cidadãos inscritos nesse programa recebem atendimento clínico, o que diminui a busca desnecessária por especialistas e a realização de exames. Você gasta menos, com resultados melhores".

Por fim, nunca é demais lembrar: em matéria de dinheiro público, é preciso endurecer a fiscalização dos gastos. "Precisamos fortalecer os conselhos de saúde, que exercem tal controle", completa Maria Fátima de Souza, coordenadora do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Universidade de Brasília (UnB).

Curar o SUS deverá ser uma tarefa cada vez mais importante nos próximos anos. Isso porque é provável que parte da classe média, que atualmente, conta com planos privados, migre para o sistema público. Segundo projeção realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Procon, se mantidos os atuais níveis de reajustes de mensalidades nos próximos 30 anos, as tarifas deverão subir mais de 120% acima da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). É verdade que a maior parte dos planos são custeados parcialmente pelas empresas. Contudo, é provável que aumentos como os estimados pelo Idec/Procon não sejam assimiláveis nem mesmo pelas companhias.

Há algumas altenativas ao sistema, menos uma: a criação de mais impostos para alimentar a saúde - a exemplo do que ocorreu no passado com a CPMF. "No curto prazo, os políticos que só pensam em seu mandato encontram resultados com a medida. Mas, no médio e longo prazos, é preciso lembrar que novos tributos diminuem o crescimento econômico", explica Marcos Bosi Ferraz, diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Comentários


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Marisa Teixeira Daniel

Qaundo se estuda o SUS de AZ ficamo maravilhadoscom a saúde públia, ma aí vem a prática e ficams decepcionados ao ver como a Gestão é mal feita, corrupção em cima de corrupção, mais dinheiro será ótimo pra que o roubo aumente. É um absurdo ter que esperar meses, anos para um exame, falta de profissionais para atendimento por(..)

14.01.2012

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Bernardo Souza Martins

A possibilidade de criar um novo imposto direcionado a saúde é um desrespeito a sociedade. O que ser feito é uma fiscalização mais rigorosa quanto o seu uso. Se conseguir diminuir a corrupção o que hoje é investido no setor será suficiente para melhorar o atendimento a população.

07.11.2011

Ana Cristian Seixas

Se os gestores de saude continuarem sendo escolhidos simplesmente devido pela "simpatia" e não pela competencia , vai ficar dificil mudar as coisas. Nem com muito dinheiro. Não é preciso procurar muita para achar gestores que não têm nenhuma experiencia com Saude Publica!

12.04.2011

Juscélia

A solução da saúde pública brasileira, sem dúvida, está na gestão eficiente dos seus recursos materiais e imaterias. Como administradora, eu vejo uma forte evidência na sua matéria.

02.02.2011

Dalvana de Oliveira

Oi,Natalia!Li seu artigo sobre o saúde pública (SUS),e achei muito interessante. Mas levanto uma questão:Será que para o SUS ser de melhor qualidade,precisa-se realmente de mais impostos,ou precisamos de gestores de saúde mais comprometidos com seu trabalho apenas,ou também que os cidadãos brasileiros busquem conhecimento (..)

07.11.2010

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maria

Exatamente isso ,sou enfermeira de PSF,trabalho no interior e sofro bastante.por ver o descalabro politico. Primeiro a equipe de psf deveria ser composta por profissionais concursados.porque os senhores politicos empregam seus peixes e os mesmos vão trabaqlhar sem compromisso nenhum.Ainda ficam tentando a todo custo desistim(..)

26.08.2010

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RASTAQUERA

SAÚDE PÚBLICA; E, EDUCAÇÃO PÚBLICA DE BOA QUALIDADE, SÃO DUAS COISAS A QUE TEMOS DIREITO, MAS NÃO RECEBEMOS. PAGAMOS OS MAIS ALTOS IMPOSTOS DO PLANETA; E, FICAMOS SEMPRE NO ORA, VEJA BEM,...BLÁ...BLA´...BLÁ. E MAIS UMA ELEIÇÃO ESTÁ A CAMINHO, E AS PROMESSAS DE SEMPRE, SÃO MAIS UMA VEZ REPETIDAS; TAPINHAS NAS COSTAS; APERTOS (..)

26.08.2010

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