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Sarkozy pede aos franceses que não busquem vingança

Presidente francês tenta evitar que onda de ódio religioso se espalhe pelo país. Muçulmano suspeito de matar crianças em Toulouse deve se entregar hoje

- Atualizado em

Policia francesa cerca casa de suspeito em Toulouse
Policia francesa cerca casa de suspeito em Toulouse(Pascal Parrot / Reuters/VEJA)

O presidente francês Nicolas Sarkozy pediu nesta quarta-feira à população do país que não ceda ao desejo de vingança após o ataque a uma escola judaica na última segunda-feira, em que morreram três crianças e um adulto. Segundo o presidente, dessa maneira os franceses vão demonstrar que o "terrorismo não vai fraturar o país".

O discurso foi feito no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, em meio à tensão religiosa que se espalha pelo país após os ataques à escola de Toulouse e também o de Montauba, em que morreram dois soldados franceses. As mesmas armas foram utilizadas nos dois atentados, segundo as autoridades da França.

Mais cedo, o rabino da sinagoga de Nice, cidade localizada no sul da França, disse aos judeus franceses que o lugar deles agora é em Israel. Já Sarkozy pediu à população que não vincule o ocorrido a crenças religiosas.

O presidente francês se reuniu nesta quarta com representantes das religiões judaica e islâmica para debater o caso Toulouse. Mais cedo, Dalil Doubakeur, da Grande Mesquita de Paris, pediu para os cidadãos franceses não estigmatizarem os muçulmanos após o ataque à escola judaica.

Também nesta quarta, uma bomba artesanal explodiu nas imediações da embaixada da Indonésia em Paris, sem causar feridos. Segundo os primeiros elementos da investigação, várias testemunhas viram três homens deixar um pacote próximo ao prédio da embaixada, situado no distrito XVI da capital francesa.

Assassino - Em uma grande ação realizada na madrugada desta quarta-feira, a polícia francesa cercou a residência em que vive o francês de origem argelina Mohammed Merah, o principal suspeito do ataque que matou três crianças e um professor na escola judaica Ozar Hatorah. Encurralado em um prédio no bairro Croix-Daurade, em Toulouse, o suspeito afirmou que vai se entregar ainda nesta quarta.

A informação é do ministro do Interior da França, Claude Guéant, que acompanha pessoalmente a operação de cerco. Guéant também declarou ter certeza de que o jovem de 24 é o responsável pelas mortes de sete pessoas nos últimos quatorze dias no país.

De acordo com a imprensa francesa, situação atual é tensa, porém controlada em Toulouse. Moradores do prédio cercado, no entanto, declararam-se desesperados com a situação: a polícia os impediu de evacuar suas casas e pediu que eles aguardassem o desfecho do caso dentro de suas residências.

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