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Síria: rebeldes culpam 'extremistas' por execução em vídeo

Massacre de soldados desarmados atraiu críticas das Nações Unidas, da Anistia Internacional e dos EUA às práticas dos grupos de oposição no país

- Atualizado em

Franco-atirador do Exército Livre da Síria se posiciona para monitorar movimentos de soldados do governo
Franco-atirador do Exército Livre da Síria se posiciona para monitorar movimentos de soldados do governo(Lens Young Homsi‎/VEJA)

Um porta-voz do grupo rebelde Exército Livre Sírio culpou "extremistas" pela execução sumária de soldados leais ao regime de Bashar Assad durante a tomada da cidade de Saraqeb, na província de Idlib, na última quinta-feira. As mortes foram filmadas e colocadas na internet. "A verdade terrível é que a execução realmente aconteceu", admitiu Hossam Sarmani, membro de uma das brigadas do ELS, ao canal de notícias CNN. O porta-voz prometeu que o grupo opositor vai identificar os rebeldes responsáveis pelo massacre: "Vamos encontrá-los e colocá-los em uma prisão até que eles possam ser julgados pelas leis internacionais ou pela nova lei síria".

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Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.
Leia mais no Tema 'Guerra Civil na Síria'

Execução - Divulgado na internet na quinta, o vídeo mostra supostos rebeldes armados com rifles chutando um grupo de aproximadamente dez homens desarmados e deitados no chão, antes de abrir fogo, matando a todos. As imagens teriam sido gravadas após a tomada de um dos postos de controle mantidos pelo regime na cidade. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, mais de 150 pessoas morreram em confrontos na Síria apenas na última quinta: 70 combatentes pró-governo, 43 civis e 38 rebeldes.

Segundo Sarmani, os responsáveis pelo massacre são extremistas da região que não estão diretamente ligados ao Exército Livre Sírio, apesar de também lutarem contra as tropas de Assad. De acordo com o porta-voz, os membros do ELS se retiraram do posto de controle após render os soldados para combater em outras áreas de Saraqeb. Neste momento, os extremistas teriam aproveitado a oportunidade para massacrar os prisioneiros.

'Crime de guerra' - Grupos de direitos humanos condenaram a execução mostrada no vídeo e demonstraram preocupação com a escalada de barbárie na Síria. A ONU afirmou que examinará as imagens com atenção e que, se o vídeo for verdadeiro, ele pode servir como prova em um processo contra os executores. Outro grupo, a Anistia Internacional, afirmou em comunicado que "as imagens, chocantes, mostram uma potencial crime de guerra em progresso".

Na sexta-feira, os Estados Unidos pediram aos rebeldes sírios que respeitem as regras internacionais de guerra. "Condenamos as violações dos direitos humanos por qualquer lado na Síria", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

Vídeo da CNN mostra supostos rebeldes sírios executando prisioneiros desarmados:

(Com agência France-Presse)

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