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EUA pagaram à inteligência britânica para ter acesso a dados

Reportagem do jornal britânico "The Guardian" traz novas informações divulgadas pelo delator americano Edward Snowden

Manifestantes seguram foto de Edward Snowden, que revelou informações sobre os programas secretos de vigilância dos EUA e da Grã-Bretanha, durante um protesto a favor do americano em Hong Kong

Manifestantes seguram foto de Edward Snowden, que revelou informações sobre os programas secretos de vigilância dos EUA e da Grã-Bretanha, durante um protesto a favor do americano em Hong Kong (Bobby Yip/Reuters/VEJA)

O governo americano pagou pelo menos 100 milhões de libras (quase 350 milhões de reais) à agência britânica de inteligência de comunicações (GCHQ, na sigla em inglês), ao longo dos últimos três anos, para garantir influência sobre os programas de espionagem do governo da Grã-Bretanha e acesso aos dados. Os pagamentos foram realizados secretamente, informou nesta quinta-feira o jornal The Guardian. Documentos divulgados pelo delator americano Edward Snowden mostram que os EUA esperavam retorno desse investimento e que a GCHQ precisava trabalhar duro para atender às demandas.

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O dinheiro foi usado, por exemplo, na reforma de uma sede da agência britânica em Bude (sul da Inglaterra), onde foram interceptadas comunicações procedentes de cabos transatlânticos, por onde trafegam dados da internet. Apesar de a quantia representar apenas uma pequena parte do orçamento de inteligência na Grã-Bretanha, o dinheiro chegou em boa hora para a GCHQ, que vinha passando por um período de corte de custos – no ano passado, o número de funcionários caiu de 6 485 para 6132.

Os documentos também apontam investimentos para coletar informações pessoais de celulares e aplicativos “em qualquer lugar, a qualquer momento”. O Guardian afirma ainda que a quantidade de dados à disposição da agência aumentou cerca de 7 000% nos últimos cinco anos – mas 60% de todo o material da inteligência britânica ainda parece vir de sua equivalente nos EUA, a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). A GCHQ culpa China e Rússia pela maioria dos ataques cibernéticos contra a Grã-Bretanha e agora trabalha com a NSA para fornecer aos militares dos dois países a capacidade de responder a esse tipo de guerra cibernética, de acordo com o material vazado pelo delator.

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Satisfação – Os relatórios revelam que a grande preocupação dos britânicos era a de atender à expectativa americana e assim garantir a ajuda financeira. Por isso, chegavam a comemorar quando um dado considerado valioso era fornecido aos americanos. Um documento ressalta a “contribuição única” à NSA durante a investigação de um cidadão americano responsável por uma tentativa de atentado com carro-bomba na Times Square, em Nova York, em 2010. Não há mais detalhes sobre o episódio, mas a suspeita é de que a GCHQ tenha espionado um americano que mora nos Estados Unidos – a NSA é proibida de fazer isso pelas leis americanas, destaca o Guardian.

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A reportagem cita fontes do governo britânico defendendo a parceria entre as agências de inteligência. “Em 60 anos de aliança não é nenhuma surpresa que haja projetos conjuntos nos quais recursos e expertise são associados, com benefícios para os dois lados”, disse um porta-voz do governo. Outra fonte, da área de segurança, acrescentou que “há uma relação próxima de inteligência entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos e alguns outros países, como Austrália e Canadá". "Mas nada é automático, nem tudo é compartilhado”, diz. 

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