Política

Para observadores dos EUA, eleições no Haiti foram 'farsa'

Já as autoridades haitianas afirmaram que a disputa presidencial foi válida

Eleitor escolhe seu candidato em um centro de votações de Leogane

Eleitor escolhe seu candidato em um centro de votações de Leogane (AFP)

Observadores americanos afirmaram, nesta segunda-feira, que as eleições presidenciais e legislativas realizadas no último domingo no Haiti estavam repletas de irregularidades e convocaram a comunidade internacional a rejeitar essa "farsa óbvia". Apesar das numerosas denúncias de fraude por parte de vários candidatos e dos pedidos de anulação do pleito, o Conselho Eleitoral do Haiti validou as eleições, cujos resultados serão conhecidos a partir de 5 de dezembro.

"Desde a proibição do partido mais popular de participar da eleição, até irregularidades no dia do pleito, incluindo relatos de fraudes nas urnas, assim como o impedimento de muitos eleitores de votar, essas eleições foram uma farsa óbvia do início ao fim", disse Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica dos EUA, em um comunicado. O texto acrescenta que Alex Main, analista do centro de estudos - que se encontrava no Haiti para observar a as eleições - foi testemunha destas irregularidades.

A missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, já havia divulgado um comunicado no fim do domingo, demonstrando a preocupação da missão e da comunidade internacional diante de "numerosos incidentes que mancharam as eleições". No comunicado, a Minustah pediu que a população e os candidatos "permanecessem calmos", alertando para a possibilidade de "consequências dramáticas", caso ocorra uma piora na situação de segurança.

Milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra as supostas fraudes. "Você não pode roubar o voto popular", disse o músico haitiano Wyclef Jean, que vive nos EUA desde os nove anos e não teve sua permissão para concorrer na disputa.

Eleições - Contudo, as autoridades eleitorais do Haiti afirmaram na noite de domingo que a disputa presidencial foi válida - mesmo com registro de duas mortes, as reclamações de fraudes, protestos e pedidos de cancelamento do pleito. Segundo o Conselho Eleitoral Provisório (CEP), houve problemas em apenas 56 das 1.500 seções eleitorais. O presidente do CEP, Gaillot Dorsainvil, disse até que a disputa foi um "sucesso".

Doze dos 18 candidatos afirmaram, porém, que as afirmações fazem parte de uma "conspiração" do atual governo e da comissão eleitoral. O grupo disse que os conspiradores tentam "beneficiar o candidato apoiado pelo atual presidente René Préval". Entre os que condenaram o pleito está a favorita, a ex-primeira-dama Mirlande Manigat.

Pesquisas de opinião apontavam que Mirlande, de 70 anos, tinha uma vantagem clara sobre o segundo colocado, Jude Célestin, do partido governista. A tendência, segundo os levantamentos, é que esses candidatos sigam para o segundo turno, no dia 16 de janeiro.

Os haitianos foram às urnas escolher o presidente, 11 senadores e 99 deputados em meio a uma epidemia de cólera, que já matou 1.650 pessoas, menos de um ano após um violento terremoto deixar cerca de 250.000 mortos no país.

 

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