Itália

Monti defende seu governo e fala em cortar impostos

Em entrevista à rádio pública, premiê também criticou antecessor. Perfil com nome de Berlusconi no Twitter foi alvo de questionamentos na imprensa italiana

Mario Monti, primeiro-ministro italiano

Mario Monti, primeiro-ministro italiano (Fabio Campana/EFE)

O primeiro-ministro demissionário da Itália, Mario Monti, prometeu cortar impostos trabalhistas para estimular o crescimento, abandonando uma postura tecnocrata neutra em uma entrevista considerada como o lançamento da campanha para as eleições parlamentares de fevereiro. "Precisamos reduzir os impostos sobre a força de trabalho, tanto para os trabalhadores quanto para as empresas, por meio do corte de gastos", disse à emissora de rádio estatal Rai. Ele também defendeu sua administração, dizendo que “a luz no fim do túnel está mais perto”.

No final de dezembro, Monti anunciou sua intenção de liderar uma aliança comprometida com uma agenda de reformas, mesmo não sendo candidato – como senador vitalício, ele teria de abrir mão do título para se candidatar. Na última sexta-feira, anunciou que lideraria uma coalizão de partidos de centro nas eleições marcadas para o final de fevereiro. Ele poderá ser indicado para o cargo de primeiro-ministro se a aliança que lidera for a vencedora no pleito.

O bloco do premiê, de 69 anos, está agora em uma disputa com o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e com o partido Povo da Liberdade (PdL), do quatro vezes primeiro-ministro Silvio Berlusconi, de 76 anos, à direita.

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A entrevista desta quarta-feira, já em tom de campanha, incluiu ataques ao ex-premiê Silvio Berlusconi. Monti novamente ridicularizou Berlusconi, dizendo que ele foi pessoalmente "confundido" por suas "ilógicas" oscilações entre elogiar seu governo e atacá-lo. "Espero que os eleitores estejam menos confusos do que eu".

Nas últimas semanas, Berlusconi atacou Monti dizendo que ele recebia ordens da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre como atuar na economia. Ao mesmo tempo, propôs ao primeiro-ministro que liderasse uma coalizão de centro-direita - sugestão que foi rejeitada por Monti.

Disputa - O ex-comissário europeu foi nomeado em novembro de 2011 para o lugar de Berlusconi com a missão de tirar a Itália da crise financeira. Desde então, ajudou a restaurar a confiança dos investidores na Itália. Em dezembro, no entanto, o partido de Berlusconi retirou seu apoio a Monti, o que levou o premiê a renunciar no dia 21 de dezembro.

Pesquisas sugerem que o bloco de Monti poderia ganhar até 16% dos votos, percentual insuficiente para governar. O PD e seus aliados aparecem como favoritos, pelo menos na Câmara. Monti repetiu nesta quarta-feira que quer formar uma ampla coalizão de partidos pró-Europa e pró-reforma após a eleição. Monti é o favorito dos mercados, dos empresários e da Igreja Católica. O PD disse que vai continuar o caminho iniciado pelo governo Monti, promovendo ajustes para impulsionar o crescimento e o emprego. 

Twitter - Enquanto isso, a campanha de Berlusconi é alvo de questionamentos na Itália. A repentina popularidade da conta "@Berlusconi2013" no Twitter abriu espaço para especulação na imprensa italiana sobre compra de seguidores. O número, que não passava de 7.000 nas semanas seguintes à criação da conta (seis de dezembro), pulou para 70.000 nas últimas 24 horas de 2012.

Os jornais italianos destacaram que o número de seguidores aumentou de forma "mágica", citando comentários de usuários da rede social que acusam Il Cavaliere, como Berlusconi é chamado na Itália, de comprar seguidores. Segundo o Corriere della Sera, a maioria dos seguidores são usuários de origem latino-americana sem foto no perfil.

Em resposta, a campanha de Berlusconi anunciou que o perfil no Twitter foi criado por assessores "que não recebem um só euro, mas o fazem por paixão e confiança no presidente Berlusconi". O deputado Antonio Palmiere, responsável pela gestão das redes sociais do partido de Berlusconi, explicou que a conta não é oficial, e que foi criada por voluntários.

(Com agência Reuters)

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