Enviado do Japão vai à China tentar aliviar tensão por ilhas
Vice-ministro das Relações Exteriores japonês chega a Pequim na pior fase do conflito diplomático por soberania no arquipélago de Senkaku/Diaoyu
Manifestante protesta em frente ao Consulado do Japão em Xangai para exigir devolução das ilhas Diaoyu/Senkaku
(Carlos Barria/Reuters)
O vice-ministro das Relações Exteriores do Japão, Chikao Kawai, viaja nesta segunda-feira à China para uma visita de dois dias destinada a aliviar a tensão bilateral causada pela disputa territorial sobre as ilhas Senkaku – chamadas de Diaoyu pelos chineses. Na última semana, o conflito diplomático pela soberania do pequeno arquipélago situado no Mar da China Oriental motivou uma onda de protestos antijaponeses na China.
Nesta terça-feira, está previsto que Kawai se reúna com um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores chinês para abordar a deterioração das relações entre ambos os países. A viagem ocorre pouco depois que o próprio Kawai transmitiu por telefone um protesto ao embaixador da China no Japão, Cheng Yonghua, pela "intrusão territorial" de barcos patrulheiros chineses em águas das ilhas em disputa.
Por causa do conflito sobre as ilhas, as relações entre as duas maiores economias da Ásia atravessam sua pior fase das últimas décadas. Os dois países mobilizaram forças navais em torno das Senkaku/Diaoyu. As hostilidades começaram quando o governo do Japão decidiu nacionalizar três das oito ilhas desabitadas, que estavam em mãos de um proprietário japonês, depois que o governador nacionalista de Tóquio, Shintaro Ishihara, ameaçou adquiri-las – o que poderia motivar uma crise ainda maior (leia mais no quadro abaixo). A decisão causou uma série de protestos na China, com empresas japonesas sendo obrigadas a fechar centenas de lojas e fábricas no país.
Entenda como ilhotas colocaram a China contra o Japão
A soberania de oito ilhas rochosas provocou crise diplomática entre dois fortes parceiros comerciais e desatou uma onda de protestos anti-Japão em cidades chinesas.
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Qual é o contexto histórico da disputa?
Barco japonês navega na região das ilhas Senkaku, disputadas por Japão, China e Taiwan
A disputa pelas ilhas data de 1895. Segundo o Japão, nessa época a China cedeu o território ao perder a guerra sino-japonesa. A China diz que o Japão tomou ilegalmente o território ao forçar a dinastia Qing a assinar o Tratado de Shimonoseki. Durante a II Guerra Mundial, os Estados Unidos administraram as ilhas, mas as devolveram ao Japão em seguida. A China diz ter recuperado a soberania das ilhas após o conflito com a Proclamação de Potsdam, de 1945, mas o Japão diz que elas não estavam incluídas em um acordo posterior, o Tratado de Paz de San Francisco, de 1951. Em 1971, tanto China como Taiwan declararam soberania sobre as ilhas e, desde então, a questão virou um entrave diplomático.
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Qual é o contexto histórico da disputa?
Barco japonês navega na região das ilhas Senkaku, disputadas por Japão, China e Taiwan
A disputa pelas ilhas data de 1895. Segundo o Japão, nessa época a China cedeu o território ao perder a guerra sino-japonesa. A China diz que o Japão tomou ilegalmente o território ao forçar a dinastia Qing a assinar o Tratado de Shimonoseki. Durante a II Guerra Mundial, os Estados Unidos administraram as ilhas, mas as devolveram ao Japão em seguida. A China diz ter recuperado a soberania das ilhas após o conflito com a Proclamação de Potsdam, de 1945, mas o Japão diz que elas não estavam incluídas em um acordo posterior, o Tratado de Paz de San Francisco, de 1951. Em 1971, tanto China como Taiwan declararam soberania sobre as ilhas e, desde então, a questão virou um entrave diplomático.
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Por que as ilhas são importantes?
Ilhas são disputadas por China e Japão devido à riqueza natural
Além da questão histórica, há a questão econômica. Aparentemente, um grupo de oito ilhas vulcânicas inabitadas e rochosas, com uma área total de sete quilômetros quadrados, não tem muita importância. No entanto, elas ficam em uma posição estratégica para embarques de mercadorias e para a pesca. Além disso, há na região um grande potencial para exploração de gás natural.
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Quem iniciou a campanha para a compra da ilha?
Shintaro Ishihara, governador de Tóquio, é um nacionalista declarado
A ideia da compra começou com uma campanha de Shintaro Ishihara, governador de Tóquio (com 37 milhões de habitantes, a Grande Tóquio tem um governo próprio). Ishihara é um célebre escritor japonês que ficou conhecido ao escrever o livro Season of the Sun (Temporada do Sol, em tradução livre do inglês), com o qual ganhou o mais alto prêmio literário do país. Ele é um nacionalista declarado, com um longo histórico de ataques à China. Com a aparente aprovação do governo japonês, Ishihara fez uma bem-sucedida ‘vaquinha on-line’ para angariar fundos para comprar as duas ilhas de seus proprietários privados (as ilhas pertenciam a japoneses).
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Quem comprou as ilhas?
Primeiro-ministro do Japão Yoshihiko Noda negou conflito por soberania porque ilhas são japonesas
Diante da possibilidade de as ilhotas ficarem sob a jurisdição de Tóquio, o governo japonês antecipou-se e comprou-as por 2,05 bilhões de yens (cerca de 52 milhões de reais). “As ilhas Senkaku são uma parte do território japonês, tanto historicamente como por lei internacional. Então não há problema de soberania territorial”, disse, na época, o primeiro-ministro do Japão Yoshihiko Noda.
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Qual foi a reação da China?
Site de buscas chinês Baidu destaca disputa territorial com Japão em sua Homepage
A China enviou vários navios de patrulha à região das pequenas ilhas. Em junho, o porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Weimin, já havia classificado a tentativa de Ishihara de comprar as ilhas de ‘irresponsável’. E acrescentou que o território era da China por direito.
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Como surgiu a onda de protestos?
Chineses protestam do lado de fora da embaixada japonesa em Pequim
Ainda durante a campanha de Ishihara, as primeiras manifestações começaram a surgir. Em agosto, o Japão deportou 14 chineses que protestavam no país. Em seguida, após a China enviar navios de patrulha para o território, o Japão hasteou sua bandeira nas ilhotas. A reação japonesa irritou os chineses, que finalmente tomaram as ruas de grandes cidades, como Guangzhou, Shenzhen, Shenyang, Hangzhou, Harbin e Qingdao. Funcionários de empresas japonesas instaladas na China também protestaram, com quebra-quebra nos locais de trabalho. Empresas como Panasonic e Honda tiveram de paralisar suas produções no país.
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Quando ocorreu o último incidente na região?
Em Zhengzhou, norte da China, manifestantes protestam contra o Japão em 2010
Em 2010, o Japão deteve o capitão de um pesqueiro chinês que atuava na região. O incidente provocou uma série de protestos na China. O capitão foi libertado 15 dias mais tarde, após Pequim suspender temporariamente suas relações de alto nível com Tóquio.
VEJA
Ilhas são disputadas por China e Japão devido à riqueza natural