MMA
UFC 148: Sonnen - quem diria - fez bem a Anderson Silva
Como a rivalidade com o americano motivou o brasileiro a melhorar ainda mais
Restava apenas uma interrogação em todo o currículo do brasileiro - justamente a luta que ele ganhou quase por milagre, a segundos de ser destronado. Por mais que não quisesse, teria de enfrentar Sonnen de novo
Anderson Silva conquistou o status de melhor lutador de MMA do planeta num perÃodo de dois anos, entre 2006 e 2008, com uma impressionante sequência de vitórias. Em suas sete primeiras lutas no UFC, o brasileiro ganhou quatro no primeiro round e três no segundo, contra rivais como Dan Henderson, Rich Franklin e Nate Marquardt. Depois de atingir o auge, Anderson emendou uma série de combates atÃpicos. Ganhou de Patrick Cote graças a uma contusão do rival, precisou da decisão dos juÃzes para bater Thales Leites e, em abril de 2010, fez sua luta mais controversa, contra Demian Maia. Sem foco e com uma postura quase desleixada no octógono, foi vaiado ao ganhar por pontos - apesar de ter tido a chance de nocautear o oponente no começo da luta. Precisando de uma boa exibição para apagar a imagem ruim do duelo com Demian, encarou o americano Chael Sonnen pela primeira vez em 7 de agosto de 2010. E esse foi o inÃcio de um longo processo que terminou com Anderson ainda melhor, ainda mais forte - e num patamar ainda mais distante de seus adversários. Ironicamente, o chato Sonnen, o arquirrival que não deixou o campeão em paz até ganhar uma revanche, fez bem para o brasileiro.
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Pego de surpresa pela estratégia bem pensada e pelo Ãmpeto de Sonnen no duelo de 2010, Anderson se viu numa posição rara, de vulnerabilidade, de flerte com a derrota. A série invicta estava perto de escapar, mas o brasileiro evitou a perda do cinturão nos instantes finais do último round. As ressalvas sobre o combate todos já conhecem: Anderson estava lesionado e Sonnen chegou a ser pego no exame antidoping. Ainda assim, a dúvida persistia na cabeça dos fãs de MMA: seria Chael Sonnen o único homem com chances de bater o campeão? As duas próximas lutas não ajudaram em nada a acabar com essa dúvida. Anderson tinha pela frente outros dois grandes rivais: Vitor Belfort e Yushin Okami - e o segundo tinha sido o último a ganhar do campeão, que foi desclassificado por desferir um golpe ilegal no japonês numa luta disputada fora do UFC, em 2006. Mas Belfort e Okami mal fizeram Anderson suar, sofrendo nocautes fáceis no primeiro e no segundo rounds, respectivamente. Restava apenas uma interrogação em todo o currÃculo do brasileiro - justamente a luta que ele ganhou quase por milagre, a segundos de ser destronado. Por mais que não quisesse, teria de enfrentar Sonnen de novo.
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A rivalidade com Sonnen era um desafio para Anderson não apenas na parte puramente esportiva. De temperamento pacato e gentil - é admirado por boa parte dos colegas de profissão, mesmo numa modalidade marcada pelas acirradas inimizades -, Anderson foi levado ao limite pelas provocações incessantes do americano (confira no quadro abaixo). Teve de sair de sua zona de conforto e falar grosso, apesar da voz fina. Ao prometer "quebrar todos os dentes" do oponente numa entrevista, dissipou a imagem de boa-praça que não gosta do duelo verbal - reputação que, aliás, desagradava muitos fãs das lutas, que costumam adorar a troca de farpas entre os atletas. Nos longos meses que antecederam o combate deste fim de semana, Anderson treinou como não fazia havia muito tempo. Estava recuperado das lesões, mas corria o risco de sofrer com a falta de ritmo de luta - um intervalo tão longo fora do octógono costuma ser fatal no UFC. Mas o Anderson que chegou ao MGM Grand para o evento mais rentável da história da franquia não decepcionou os que queriam vê-lo de volta à sua melhor forma. Para cumprir a promessa de varrer Sonnen do caminho, o campeão evoluiu - ainda que muitos achassem que isso já era impossÃvel.
Polêmicas de Chael Sonnen, o arquirrival de Anderson Silva
De coração partido
Cena rara: Chael Sonnen em versão humilde e abatida. O americano aceitou a derrota para Anderson e se disse "de coração partido". Isso não impediu que ele já preparasse o terreno para a revanche. "Ele me bateu muito e me chutou no estômago", reconheceu.
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