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Em breve, pais decidirão: dar uma pilha de livros ou um tablet aos filhos
Acervo, em formato digital, de obras voltadas a crianças e adolescentes cresce. Para educadores, leitura no dispositivo não traz prejuízos ao aprendizado
(Thomas Tolstrup/Getty Images)
O escritor italiano Italo Calvino dizia que clássicos são os livros que propagam valores universais e despertam emoções que, a despeito do tempo decorrido desde a leitura, jamais são esquecidos. "Constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado", escreveu. Cientes dessa riqueza, geração após geração, muitos pais se preocupam à certa altura da vida em reunir esse tesouro em uma estante, presenteando os filhos com uma seleção dos melhores livros. A tecnologia vai adicionar, de maneira crescente, uma questão a essa tarefa: franquear aos filhos uma coleção de livros ou um tablet ou e-reader, o leitor de livros digitais (ebooks), aos quais clássicos e outras tantas obras podem ser adicionados?
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Sim, muitos clássicos já estão disponíveis para tablets e e-readers, muitos mais estão a caminho e o mesmo vale para obras contemporâneas que servem à formação e ao deleite de crianças e adolescentes. Em língua portuguesa, já é possível ler nos dispositivos fábulas narradas pelos irmãos Grimm, A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, e as instigantes aventuras de Julio Verne, como Viagem ao Centro da Terra, entre outros – confira a relação, acrescida de livros de leitura obrigatória da Fuvest. É apenas uma pequena parcela do que já se faz em língua inglesa, por exemplo, que conta com milhares de obras prontas para a leitura. "Estamos próximos da virada digital", afirma Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, que até o fim deste ano vai colocar nos tablets todo o seu acervo infanto-juvenil – incluindo os clássicos assinados por Monteiro Lobato. "É um caminho sem volta", diz.
A ideia de tirar o tradicional livro impresso das mãos das crianças e trocá-lo por um iPad, da Apple, ou similar pode assustar os pais. Mas não causa a mesma reação nos estudiosos. Para estes, não existem restrições para leitura na nova plataforma. "O universo digital exerce fascínio nos jovens e, com ajuda dos tablets, pode apresentar a leitura para esse público de forma surpreendente", afirma Marcos Cezar Freitas, pedagogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Continue a ler a reportagem
Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (USP), vai mais longe. Ele acredita que o dispositivo eletrônico se coloca, com sucesso, como alternativa ao formato secular do livro impresso em papel. "Trata-se de um novo mundo", diz. A principal vantagem, na visão dele, é a praticidade – a capacidade dos tablets e e-readers de "carregar" centenas e até milhares de obras. Isso, é claro, facilita a vida de todos os usuários, mas especialmente das crianças e adolescentes, sempre às voltas com pilhas de obras de leitura obrigatória. "Se é possível carregar diversos livros em um único aparelho, por que não aproveitar essa facilidade?" Do ponto de vista do ensino, não há perdas para o aprendizado, defende Soares. "O que importa é o que se lê. Não onde se lê."
Não há razões pedagógicas, portanto, para as editoras pouparem esforços na transposição de suas obras para o formato digital. Elas agora estão de olho nas razões de mercado – e elas são animadoras. Em 2010, os brasileiros importaram oficialmente 64.000 iPads, segundo dados da Receita Federal – isso não incluiu aparelhos que cruzaram a fronteira na bagagem de turistas que voltaram ao país, nem rivais como o Galaxy Tab, da Samsung, ou e-readers. A expectativa é que até o fim deste ano sejam vendidos mais 300.000 aparelhos da Apple por aqui. Some-se a isso os dispositivos das demais marcas e também os leitores de ebooks. "Nossos investimentos estão crescendo de acordo com a ampliação do mercado consumidor", diz Breno Lerner, superintendente da Editora Melhoramentos. Por ora, a empresa já oferece versões digitais dos livros de Julio Verne e Ziraldo, além da coleção Sherlock Holmes.
A Abril Educação – grupo que reúne as editoras Ática e Scipione e é controlado pela família Civita, que também é dona da editora Abril, que publica VEJA – é outra que vai reforçar o acervo disponível para crianças e jovens. A empresa em breve colocará nas mãos dos jovens leitores obras de autores cujo leitura tornou-se quase compulsória no país, caso de Ana Maria Machado e Marcos Rey. "As novas plataformas, como os tablets, são um desafio do qual não vamos nos furtar", diz Ana Teresa Ralston, diretora de tecnologia de educação e formação de professores da Abril Educação.
O preço é também um atrativo. Superada a aquisição do próprio dispositivo (a partir de 1.700 reais, no caso do tablet, e 650 reais, para o leitor de ebook), compra-se obras de Machado de Assis e Eça de Queirós, por exemplo, por menos de 4 reias nas lojas virtuais da Apple e da Amazon. A versão impressa sai, no mínimo, pelo dobro. Na loja virtual Aldiko, para a tecnologia Android, sistema operacional que dá vida ao Galaxy Tab, há obras gratuitas – ainda em pequeno número em português, é verdade. Mas essa oferta deve crescer à medida que cresça a demanda – e vice-versa: a procura maior deve forçar a oferta de mais títulos. "A tendência é de expansão", diz Lerner, da Melhoramentos. Para quem ainda se assusta com a ideia de ver uma criança lendo clássicos próprios para a idade como A Ilha do Tesouro ou Vinte Mil Léguas Submarinas em um tablet, vale a lição de Ismar de Oliveira Soares, da USP: o que importa é o conteúdo.







Comentários
dimitri
Espero que os pais tenham bom senso e reflitam bastante antes de decidir.Não é uma decisão simples.
02.04.2012
Gonzalo Abio
Vamos deixar por um momento de lado a novidade e o fascínio tecnológico inicial óbvio com um aparelhinho desses ou de qualquer tipo. O tablet tem algumas vantagens (para evitar, por exemplo custos eu carregar o peso de todos os livros que os alunos tem que levar na escola) e pode ser agradável ou vantajoso para alguns tipos (..)
30.03.2012
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tácya
claro que a tecnologia é uma coisa extraordinária,mais no caso do livro nada se compara a vc poder tocar nele,sentir o cheiro,e passar de uma pessoa para a outra.
29.03.2012
Manoel Barros Furtado
Fico cada dia mais embasbacado com certas notícias que leio, mas confesso que essa superou todas. Dar um tablet em lugar de um livro para os filhos lerem, é acabar de vez com o interêsse pela leitura por parte deles.
29.03.2012
Educador cético
Sei que pode soar paradoxal um especialista em Informática Educacional comentar isso (sim, eu tenho essa formação em âmbito de especialização e mestrado, além de já haver atuado em escolas públicas e privadas alguns anos de minha vida), mas honestamente, substituir a mídia impressa tradicional por tablets, além de ser ecolog(..)
10.03.2012
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gustavo
É ótimo que os alunos tenham um tablet para complementar ou acompanhar as aulas. Era ótimo o projeto do notebook de 100 dólares. É excelente encher as salas de aula com computadores de qualquer geração. É claro que a informática e a Internet são valiosíssimas ferramentas na educação, como é em muitas áreas da produção de con(..)
15.08.2011
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Luiz Augusto
Tecnologia aliado a realidade brasileira? Estamos muito longe de incluírmos o e-reader em nosso sistema de educação jurássico, onde muitas escolas da rede pública se quer possuem um sistema eficiente e eficaz de incentivo a leitura. R$1700,00 esta muito longe do alcance da grande maioria de brasileiros. Incentivo a leitura é(..)
21.03.2011
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Laryssa W.
Esta é uma maneira mais eficaz de chamar a atenção da criança para a leitura. Estes meios tecnológicos atraem os adultos, quanto mais as crianças...
15.03.2011
bebel Lellys
Era pra todos já terem um... a gente fala tanto em inclusão digital que se esquece pra o que ela realmente serve... ao invez de facilitarmos nossa vida, cada dia mais estamos complicando...
13.03.2011
Roberto
É impressão minha ou as opções de títulos são mínimas?
13.03.2011
Rita
Estou atualmente, fazendo uso da tecnologia para a educação. Fiquei impressionada com a vantagem do aparelho. Literalmente me senti já fazendo a leitura em um deles. Com relação as creianças, também visualizei, em minha escola, eles, no intervalo, com um aparelho desses, lendo com empolgação. Será um avanco educacional se fo(..)
04.03.2011
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Thalita
Nossa!achei fantastico essa ideia. Seria muito mais facil e pratico pra quem gosta de ler, e seria sim um meio de incentivar a tecnologia e a leitura para os jovens. Uniria-se o util ao agradavel.
03.03.2011
joao pagão
Fiquei assustado ao ler o título da matéria. Não imaginava que a tecnologia já tivesse se aproximado tanto de mim, dos meus filhos e da educação. Depois de ler, contudo, percebi que ferramentas eletrônicas como o tablet podem ser de grande ajuda para o ensino. Ja estou imaginando meus pequenos lendo livros que me encantaram (..)
01.03.2011
| Ler Mais
Tatiana
Acho fantástico esse movimento de migração do livro para a plataforma digital. Minha dúvida é: como ficariam os livros didáticos nesse processo? Acredito que, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade, eles continuam sendo úteis, pois é quando a criança está desenvolvendo sua capacidade motora. A propósito, amanhã, dia 2(..)
27.02.2011
| Ler Mais
Paulo Toshiharu Watanabe
Há anos, ou seja, há décadas, o Secretário de Transportes de São Paulo afirmou: "O problema do Brasil é que o povo, antes de aprender a usar um meio de transporte coletivo, recebeu um meio individual!" No Ensino, pode acontecer algo semelhante, se os miúdos receberem um tablete antes de terem uma idéia de que foi um livro.
27.02.2011