Perfis inspiradores
'Pense grande, comece pequeno, ande rápido'
Essas são as palavras de ordem para Caio Braz, de 22 anos, criador de startup que ensina inglês a brasileiros das classes C e D – e dá lucro
Com menos de um ano de vida, a empresa de Caio Braz já foi eleita uma das 20 melhores startups da América Latina (Arquivo pessoal)
Ainda menino, o carioca Caio Braz, hoje com 22 anos, alimentava o desejo de mudar, em alguma medida, o mundo. A chave para a ação, contudo, só apareceria anos depois, quando Caio topou com uma frase proferida por Guy Kawasaki, uma das mais importantes figuras do Vale do Silício, polo americano das indústrias de tecnologia: "Tente resolver um problema seu e você estará resolvendo um problema da humanidade". Imediatamente, o jovem se voltou a seus problemas. "'O inglês é o meu problema', pensei. Eu sempre fui bom em matemática, mas não aprendera inglês'." Assim, surgiu o Backpackers, curso on-line do idioma, que utiliza o conceito de edutainment, combinação de educação e entretenimento. Voltado a estudantes das classes C e D, o negócio é rentável e, com menos de um ano de vida, já foi citado como uma das vinte melhores startups – as nascentes empresas de inovação – da América Latina.
De fato, a Backpackers pode empreender mudanças que Caio tanto almejava. Segundo a empresa de recrutamento Catho Online, profissionais que falam inglês têm um incremento salarial da ordem de 18%. "As pessoas das classes C e D precisam, em especial, de capacitação para crescer profissionalmente", diz Caio. "Importantes ferramentas de informação, como a internet, exigem a compreensão do inglês. Para quem não fala o idioma, esse é um mundo em preto e branco."
De família modesta, Caio ingressou em 2007 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, uma instituição de excelência, como bolsista da Fundação Estudar – que, neste ano, em parceria com VEJA, promove o Prêmio Jovens Inspiradores, que vai selecionar estudantes ou recém-formados com espírito de liderança e compromisso permanente com a busca da excelência: os vencedores ganharão iPads, bolsas de estudo no exterior e um ano de orientação profissional com nomes de destaque do meio empresarial e político (mentoring).
Um ano depois de entrar no ITA, no curso de engenharia mecânica, Caio criou uma organização de ex-alunos da universidade e os convenceu a investir em projetos em desenvolvimento na instituição. É um modelo de financiamento muito comum nos Estados Unidos, mas ainda raro no Brasil. É também uma maneira de profissionais que se destacam no mercado colaborarem com as instituições que os ajudaram a se formar. Mas Caio queria mudar mais coisas a seu redor.
Mergulhado em discussões sobre responsabilidade socioambiental, decidiu se dedicar ao assunto durante um ano da vida, em 2009. Trancou matrícula no ITA pelo período e seguiu para Santa Catarina com outros 300 jovens com um só objetivo em mente: ajudar a reconstruir seis cidades afetadas pelas enchentes que devastaram parte do estado no ano anterior. Aos 19 anos, palestrava para prefeitos e lideranças regionais sobre gerenciamento e utilização de recursos naturais. Voltou ao ITA transformado. Decidiu levar a responsabilidade social ao mundo dos negócios: buscava não só um projeto que desse lucro, mas algo que exercesse impacto no país.
A inspiração veio do bengalês Muhammad Yunus, pai do conceito de microcrédito – o empréstimo de pequenas quantias de dinheiro a pessoas muito pobres, que teriam dificuldades para levantar qualquer montante em bancos convencionais. Em 1976, quando ainda era professor universitário, Yunus fez a primeira experiência desse tipo ao oferecer 27 dólares a um grupo de 42 artesãos. A soma exígua foi suficiente para que eles comprassem matéria-prima, vendessem sua produção de tamboretes de bambu e garantissem a continuidade do negócio. Animado com as possibilidades que a iniciativa apresentava, o intelectual virou banqueiro no ano seguinte. Fundou o banco Grameen, que significa "banco da aldeia" em bengali, e passou a fomentar a atividade econômica local.
O interesse por Yunus levou Caio a Bangladesh. Também o levou a criar a rede Pólens. Ele enviou um e-mail a cerca de 50 amigos sobre suas ideias e, em seguida, criou uma rede de interessados em criar negócios com objetivo de reduzir a pobreza e, ao mesmo tempo, gerar renda. Atualmente, a rede envolve quase 200 jovens e atende pelo nome de Polinize. O resto da história é conhecida: nasceu a Backpackers, uma parceria entre Caio e dois amigos. "Sei que as minhas ações tiveram um componente fundamental: o estudo. Se eu não tivesse ingressado no ITA, não seria capaz de montar esse negócio. Foram o estudo e o ambiente da universidade que me deram o empurrão para o empreendedorismo e a liderança."
Para aqueles que também pensam em promover alguma mudança no espaço a seu redor, Caio reserva uma outra frase, desta vez proferida por Fábio Barbosa, presidente do Grupo Abril, que publica VEJA. "Pense grande, comece pequeno, ande rápido."



Comentários
Gra
Isso deveria ser divulgado nas escolas públicas, o próprio governo deveria ajudar a disseminar esse tipo de informação, os grandes portais como o globo.com que só divulga o BBB deveria né?, ninguem merece ver todo dia esses lixos informativos, BBB.
06.03.2012
Raiane
Ótima matéria. Um encorajamento através deste jovem à juventude presente para um desempenho melhor na transformação da sociedade.
26.02.2012
Francimar
gosto de desafios por isso vivo em busca de novas descobertas,esse ano vou prestar vestibular na unb para Engenharia Mecatrônica só assim realizarei um sonho que tenho desde criança, e com isso ampliarei meus horizontes,quando se tem um sonho busque-o pois esse sonho pode dar o comforto que sempre almejou por isso eu sempre (..)
25.02.2012
| Ler Mais
donimgos de anésio
isso é maravilhoso ler uma reportagem sobre garoto que tao jovem,mas tem ideia de gente grande,boa sorte.
22.02.2012
margaretha jakaB
gOSTARIA DE SABER SE O JOVEM CONCLUIU O CURSO NO ITA
20.02.2012
TARCISIO
Você está ainda nessa atividade? Como manter?É possível ter acesso a esse tipo de ajuda para pessoas carente.
19.02.2012
Jandira
Estou emocionada em ver que meu otimismo nao e' solitario, que e' sim possivel com vontade, mudar o mundo ao nosso redor. Parabens ao Caio Braz e obrigada por todo o que voce faz e tambem vira a fazer pelo nosso pais, tao necessitado de pessoas capazes de se doar ao proximo.
15.02.2012
Dom de Oliveira
Isto é a cara da Aiesec.
13.02.2012
Fatima Franco
parabéns pela reportagem! que tenha cada vez mais pessoas que usem a inteligencia e o talento para fazer esse mundo melhor.
12.02.2012
Valéria de Lourdes Leão Resende
Parabéns a esses jovens que gostam de ajudar as pessoas, fazer o bem e, principalmente, levar o conhecimento onde não existe!!! Esse ,com certeza, terá um futuro brilhante e todos irão agradecê-lo depois!!
12.02.2012