Educação
Inovação
Livros digitais mudarão nosso cérebro?
Desde o aparecimento da plataforma, especialistas discutem a capacidade dela de provocar mudanças na leitura, no aprendizado e na mecânica cerebral
Em 2009, quando a segunda geração do Kindle, o leitor de livros digitais da Amazon, chegou aos Estados Unidos, iniciou-se uma discussão sobre a capacidade de a nova plataforma provocar transformações nos processos de leitura, aprendizado e até mesmo na mecânica cerebral. O jornal americano The New York Times ouviu especialistas ligados à educação provenientes de diferentes áreas a respeito. Algumas ideias apresentadas pareceram pertinentes.
Para Alan Liu, pesquisador da Universidade da Califórnia, os e-books transformariam o ritual da leitura, solitário por excelência, em uma cerimônia coletiva, onde o principal agente transformador é o ambiente. As silenciosas bibliotecas, na visão dele, dariam lugar aos animados cafés, onde os jovens passariam a equilibrar a atenção focal e periférica (na obra que leem e no ambiente ao redor), algo muito difícil até então.
A distração é o principal obstáculo à leitura digital, apontou Sandra Aamodt, ex-editora chefe da revista Nature Neuroscience. Ela questionou a eficiência dos e-readers e destacou: "A leitura em uma tela exige maior esforço por parte do usuário."
Gloria Mark, também da Universidade da Califórnia, foi menos cética. Ela defendeu que o hipertexto, presente os livros digitais, enriquece o processo de aprendizado. Embora reconheça a vantagem de buscar, simultaneamente, informações adicionais na rede enquanto se entrega à leitura nos dispositivos eletrônicos, ela chamou a atenção para a falta de profundidade nesse processo. "Os jovens, quando conectados, alternam suas atividades a cada três minutos", alertou.
Maryanne Wolf, diretora do Centro de Pesquisa em Leitura e Linguagem da Universidade Tufts, fez uma defesa apaixonada da capacidade de adaptação dos jovens aos e-books. Ela explicou que o processo de leitura é baseado em uma arquitetura aberta e que essa característica torna mais flexível a absorção de conteúdo.
Em entrevista a VEJA, no entanto, a especialista ressaltou que nos dispositivos eletrônicos a leitura é mais veloz e, portanto, superficial. "Nesse caso, o circuito formado entre as áreas do cérebro envolvidas na leitura não chega àquela região em que ela seria processada de maneira mais analítica".
Entre os acadêmicos havia também os otimistas. David Gelernter, professor da Universidade de Yale, duvidava que a qualidade da leitura estivesse diretamente vinculada ao suporte em questão. Ele disse que o "meio não é a mensagem" e que a forma como o conhecimento chega ao ser humano é irrelevante. Na concepção de Gelernter, o que importa é a excelência do conteúdo e não o seu intermediário.







Comentários
Diego Alcântara
Sabemos que,ler é o meio mais eficaz de absorver conteúdo nos mais diversos aspectos.Acredito que dispositivos modernos lançam ferramentas,aliás abrem mais portas ao conhecimento, pois o tornam mais interativos, abragendo ainda mais outras áreas do conhecimento.É uma questão de adaptação a modernidade e a certeza de que a te(..)
26.03.2011
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antonio carlos
a popularização dos leitores digitais é muito importante ,porque no futuro bem proximo os livros impressos irão ficar mais baratos e mais acessíveis a população mais pobre do brasil,que nao tem o costume de ler livros por falta de habito e por serem muito caros.
21.03.2011
Fernanda
Acredito que a leitura é um ato de extrema importância, pois agunça a criticidade das pessoas, infelizmente não é interesse dos "maus políticos".No Brasil a maior parte da população, pobre, não tem facilidade de possuir ou ler um livro descente, a melhor proposta acredito que seja começar a baratear os impressos e só assim, (..)
16.03.2011
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Luiz Carlos
Com certeza esta abordagem sobre o e-book seria muito importante no Brasil, uma vez que em nosso país a leitura não é tão difundida ao passo que a tecnologia avança a cultura decai, e assim quando a cada Brasileiro se estima que se faça a troca de um celular por ano esse mesmo Brasileiro não leu se quer um só livro no mesmo (..)
02.03.2011
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João Victor
Concordo como o David Gelernter, a maneira com que o conteúdo chega até nos é irrelevante. Porque estamos recebendo informações a todo o momento. e muitas das coisa que assimilamos não está literalmente ligada a um livro de "PAPEL".
01.03.2011
yeda de moraes suza machado
O importante é convergir mais leitores para um livro pois só lendo mais aprende-se mais.Só através de leitura adquire-se maior conhecimento, não importando o meio da impressão ou comunicação.O importante é motivar a leitura...em seguida, escolher o que melhor possa ler.
28.02.2011
Tatiana
Devemos estar abertos sim às mudanças de suporte para leitura. A mudança de papiro para livro impresso não modificou (ao contrário, acredito que facilitou) a busca por literatura. Esse movimento somente facilitará o acesso, a distribuição e a comercialização de livros. Como consequência, colaborará para o cultivo do hábito e(..)
27.02.2011
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