Meteorito que caiu no Marrocos veio de Marte

Rochas devem ter vagado por milhões de anos antes de caírem na Terra

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Fragmento do meteorito "Tissint" encontrado no Marrocos
Fragmento do meteorito "Tissint" encontrado no Marrocos: rocha veio de Marte(Carl B. Agee/AFP/VEJA)

Uma equipe internacional de cientistas confirmou que procedem de Marte os fragmentos de um meteorito que foi visto caindo como uma bola de fogo no Marrocos em julho de 2011. A Sociedade Internacional de Meteorítica e Ciência Planetária publicou em seu boletim os detalhes deste meteorito, batizado de Tissint.

Trata-se de sete quilos de material rochoso em pedaços que vão desde um grama a quase um quilo, segundo explicou Edward Scott, presidente da associação que agrupa 950 cientistas, incluindo vários funcionários da Nasa. É o maior meteorito de origem marciana já encontrado na Terra. Várias universidades ao redor do mundo irão estudar o meteorito, que pode dar detalhes sobre o passado do planeta vermelho e ajudar a dizer se ele já abrigou vida.

Apesar das várias missões enviadas a Marte, ainda não foi possível retirar amostras do solo do planeta e trazê-las para a Terra. Por isso, a confirmação de que o material do meteorito marroquino veio de lá é uma boa notícia para os cientistas.

"Da química desses produtos podemos obter mais informações sobre o ambiente marciano ao longo do tempo, desvendando, por exemplo, se era comum que a água ficasse na superfície e, potencialmente, descobrir se em algum momento Marte foi apto a ter vida", explicou a professora Lydia Hallis, do Instituto de Geofísica e Planetologia da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos.

As rochas que formam o meteorito, porém, não são um retrato atual da atmosfera marciana. Os cientistas acreditam que o corpo celeste estava vagando pelo Sistema Solar havia milhões de anos antes de cair na Terra. A principal hipótese é a de que um corpo maior tenha colidido com o planeta vizinho e espalhado detritos como esses pelo espaço.

As partes do Tissint começaram a ser encontradas em outubro do ano passado, por nômades que perambulavam pelo vale Oued Drâa, próximo à cidade de Tata. Uma das testemunhas, Aznid Lhou, disse, segundo o boletim divulgado pela Sociedade Internacional de Meteorítica, que primeiro viu uma luz amarela no céu da noite. Em seguida, o objeto apresentou um forte brilho esverdeado, que iluminou toda região, para então partir-se em dois.

Perguntas & respostas

  • Qual a diferença entre asteroide, meteorito e meteoro? Asteroides são corpos celestes menores que planetas que vagam pelo Sistema Solar desde sua formação, há 4,6 bilhões de anos. Meteoritos são pedaços de asteroides que eventualmente atingem a superfície da Terra. Meteoros são os rastros luminosos produzidos por pedaços de asteroides em contato com a atmosfera da Terra, resultado do atrito com o ar, e são popularmente reconhecidos como estrelas cadentes.
  • Meteoritos deram origem à vida na Terra? A hipótese de que a vida veio do espaço, na 'carona' de rochas espaciais, não é o modelo dominante, mas também não se descarta. É o que embasa uma série de pesquisas no campo da chamada astrobiologia. Há também pesquisadores que consideram que o impacto de meteoritos e a formação de crateras favoreceram o aumento da biodiversidade.
  • Meteoritos acabarão com a vida na Terra? Milhares de meteoros atravessam nossa atmosfera todos os dias. A maioria não passa de poeira espacial. Estima-se que uma grande colisão ocorra a cada 100 milhões de anos. A única extinção em massa associada a uma colisão de meteorito foi a dos dinossauros, 65 milhões de anos atrás. Ainda assim, existem pesquisas mostrando que as espécies então já estavam ameaçadas por causa de uma série de razões. O asteroide de 10 quilômetros de diâmetro apontado com o vilão da história teria apenas acelerado o inevitável destino dos dinossauros.
  • O homem pode proteger a Terra de um grande asteroide? Astrônomos monitoram constantemente a aproximação de corpos celestes. A hipótese é improvável, mas caso um enorme asteroide apareça em rota de colisão com a Terra, os cientistas já sabem o que sugerir: em vez de explodi-lo, como no filme Armageddon, desviá-lo. Os pesquisadores consideram factível instalar desde velas especiais para capturar o vento solar até motores de íons.

VEJA

gráfico meteoritos
(Arte VEJA - Mirian Silva/VEJA)

(Com informações da agência EFE)

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