25/06/2010 - 01:41
  • compartilharCOMPARTILHAR
  • imprimirIMPRIMIR
 

Oftalmologia

Exame de vista pelo celular

Brasileiros do MIT desenvolvem ferramenta barata e portátil para diagnóstico de miopia, hipermetropia e astigmatismo

Marco Túlio Pires
PerfectSight

Manuel Menezes, professor visitante do MIT e Vitor Pamplona demonstram o PerfectSight. (Andy Ryan)

"É como o termômetro. Ninguém precisa ir ao hospital para saber se está com febre. Qualquer pessoa poderá realizar o teste em qualquer lugar” — Vitor Pamplona.

O brasileiro Vitor Pamplona, 26 anos, está prestes a revolucionar o popular exame de vista. Aluno visitante de uma das principais instituições de ensino de tecnologia do mundo, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), ele desenvolveu o PerfectSight: um pequeno aparelho feito de plástico que, encaixado a um celular, pode revelar em apenas dois minutos se o usuário tem miopia, astigmatismo ou hipermetropia. A pesquisa foi realizada em conjunto com outro brasileiro, o professor visitante Manuel Menezes, e com os indianos Ramesh Raskar e Ankit Mohan, respectivamente professor e aluno do MIT. Os brasileiros representam a Universidade Federal do Rio Grande do Sul no instituto e foram financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq.

Em um futuro próximo, prevê Pamplona, todos poderão realizar esse teste em casa. "É como o termômetro. Ninguém precisa ir ao hospital para saber se está com febre. Com o PerfectSight, qualquer pessoa poderá realizar o teste onde quiser", diz.

Os exames atuais variam entre o velho quadro de letras que o paciente lê à distância aos métodos que utilizam lasers diretamente no olho e informam o nível de alteração refrativa (o popular 'grau') em um minuto. Mas um aparelho assim vale US$ 12.000, enquanto o aparelho desenvolvido por Pamplona custa menos de US$ 2. Há ainda o retinoscópio, um aparelho criado há mais de 150 anos e que é utilizado até hoje. É a única alternativa portátil para exame de alteração da refração. No entanto, ele é utilizado apenas por médicos.

A invenção de Pamplona não é cara e pode ser usada por qualquer um. Consiste em uma peça de plástico com uma transparência por cima da tela do celular. A ideia é ter a mesma praticidade dos aparelhos mais caros. No entanto, em vez de tirar fotos utilizando um feixe de laser, o próprio olho humano é a câmera. O celular projeta, através da transparência desenvolvida pelos pesquisadores, duas linhas na retina do usuário. Caso o paciente tenha uma visão perfeita, ele terá a impressão de ver uma única linha, pois elas irão se sobrepor. Caso ele tenha miopia ou hipermetropia, as duas linhas ficarão visíveis. Nesse caso, utilizando o teclado do celular, o usuário terá que posicionar uma linha sobre a outra até que elas formem uma só. O procedimento é repetido diversas vezes e ao final de dois minutos o programa de celular exibe o resultado.

O presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) acredita que, caso seja comprovada a eficácia da ferramenta em amplos testes clínicos, ela pode representar um grande avanço na área de exames de vista. No entanto, ele rebate a comparação com o termômetro. "Pode ser que o paciente tenha um tumor maligno que não apresente febre”. O especialista explica que com o olho é a mesma coisa. "A variação do grau pode ser o início de uma doença, por exemplo a diabetes". Por isso, ele afirma que nada substitui a avaliação médica. "A pessoa pode ter a falsa impressão de que está tudo bem porque o resultado do exame foi favorável, mas só um exame médico poderá descrever o quadro clínico do paciente."

O projeto ainda está longe de atingir o mercado consumidor. "O produto final não está pronto para substituir os exames atuais mas o conceito é promissor. Estamos na metade do caminho." O próximo passo é melhorar o design do aparato para que ele se encaixe em um grande número de celulares.

  Tags

Comentários


comentar

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais(e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para aprovação de comentários no site de VEJA

Tarcisio

muito sucessor no seu invento, que seja a nossa referencia no mundo.

25.11.2011

joao mondadori

e agora quero ver os oftalmos que so sabem fazer refração, oque eles vão fazer rsrsrsrskkkkkkkkkkk

29.04.2011

Osvaldo N. Cavalheiro Jr

É com muito prazer que lhe escrevo, a felicidade de ver um Brasileiro diante de um avanço de uma tecnologia, que com certeza irá encontrar em milhares de pessoas alguns desses erros refrativos. Sou aluno de optometria da Universidade de Contestado UNC com formação a bacharel, e estou a procura de algo semelhante ao seu inv(..)

15.09.2010

| Ler Mais

Vera Neisser

Parabéns!!!! Muito promissor, mas com certeza, ainda não dispensa o "exame clínico".

09.07.2010

sandra

Vitor muito legal sua invenção,acho que terá uma grande progreção caso estabeleça,um apoio ambas,com os optometristas,eles te faram ter grandes sucesso.Parabéns

05.07.2010

Maria Aparecida de Lima

Parabéns à estes brasileiros Vitor Pamplona e o professor Manuel Menezes HOMENS que o mundo precisa; pesquisadores e cientistas para o bem da humanidade. DEUS ilumine a carreia deles.

29.06.2010

Rony Fagundes

Vitor Pamplona, não era você um dos grandes colaboradores do JavaFree? Parabéns pela iniciativa, pelo apoio do CNPq (que sempre é um suor pra se conseguir) e pela disposição em lutar por fazer a tecnologia se tornar algo útil à leigos, de alguma forma. Sucesso na pesquisa, e paz e luz na caminhada!!

29.06.2010

Carla R Castro

Gostei da materia, ate porque minha oftalmologista ja tem m equipamento mais atualizado sobre o assunto, abraços, sobre hipermetropia ela me sugeriu que eu nao usasse lentes de contato, e sim oculos convencionais,

27.06.2010

gabriela

adorei, sou miope e odeio esse exame de letrinhas. AS vezes a propria lente do teste fica suja e o paciente sofre...

26.06.2010

Lairson

Parabéns pelo desenvolvimento e esperamos que a invençào esteja no mercado em breve, principalmente no s paises menos desenvolvidos onde a febre de celulares suplanta outras necessidades básicas do ser humano.

26.06.2010

 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados