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Segundo livro, Smurfs são 'totalitários e antissemitas'

Francês lança obra que aponta símbolos nazistas na aldeia dos seres azuis

Os Smurfs, da Hanna Barbera (620)

Os Smurfs, da Hanna Barbera: racismo no mundo azul (Divulgação)

Muitas teorias conspiratórias já foram criadas a respeito dos Smurfs, os pequenos seres azuis com gorros brancos criados pelo ilustrador belga Peyo. Já se disse que eles não passariam de alunicação do bruxo Gargamel, único humano da história, e que dariam canseira em Smurfette, em muitas versões a única mulher da aldeia de casas feitas de cogumelos. Isso não impede, entretanto, que surjam outras leituras maliciosas dos personagens infantis. É o caso da teoria elaborada pelo francês Antoine Buéno no livro Le Petit Livre Bleu (O Pequeno Livro Azul, em tradução livre), lançado nesta quarta-feira na França. Buéno defende que os Smurfs são personagens de uma "utopia totalitária com pitadas stalinista e nazista".

Sob a liderança de Papai Smurf, os seres azuis seriam uma sociedade corporativa, de veneração do padrão ariano de beleza representado por Smurfette. O narigudo Gargamel, cujo gato se chama Azrael (Cruel, na versão brasileira), seria "uma caricatura antissemita". O tratamento dado à aparição do Smurf negro em um dos episódios é uma das provas do enaltecimento da pureza de sangue existente nessa sociedade, que conta com um sistema de produção próximo ao coletivismo.

Em declarações publicadas pela revista Le Nouvel Observateur, Buéno revela que sua análise não é inovadora, e contém inclusive relatos anteriores sobre os personagens, como o de um americano que chegou a suspeitar que os Smurfs faziam parte de uma campanha em referência ao comunismo. Para esse americano, o nome Smurf seria uma sigla formada pelas iniciais das palavras em inglês "Small, Men, Under, Red e Force" (Pequenos Homens sob Forças Vermelhas, em tradução livre).

O autor francês, no entanto, absolve o cartunista Peyo, que nasceu em 1928 em Bruxelas e viveu sob ocupação nazista na Bélgica. Para Buéno, ele não teria tido consciência dessas relações quando batizou os personagens. "Peyo não era politizado... Acredito que sua obra, como tantas outras, concentra um certo número de estereótipos próprios de uma sociedade e uma época determinadas." O francês também garante que a sua intenção não é "desencantar" os fãs dos Smurfs, e sim "sobrepor à percepção das crianças uma visão diferente da que é proporcionada pelos adultos", algo que considera "intelectualmente saudável". 

As aventuras dos Smurfs tiveram continuidade após a morte de Peyo, em 1992, graças a seu filho Thierry Culliford, que concedeu, de acordo com Buéno, uma visão "muito mais pedagógica" e contemporânea à história. 

(Com agência EFE)

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