Senado

Novo Conselho de Ética tem Renan e integrantes ficha-suja

Após escapar de cinco representações com pedido de cassação em 2007, Renan Calheiros é um dos componentes do grupo que vai analisar decoro

Adriana Caitano
  • O senador sem voto Gim Argello chegou ao Senado como suplente e assumiu a vaga de Joaquim Roriz, que renunciou para fugir à cassação. Como relator da mais poderosa comissão do Congresso, usou o Orçamento da União para mandar dinheiro público para a família. Depois de denunciado por VEJA, em novembro do ano passado, acabou renunciando ao cargo de relator

    Moreira Mariz/Agência Senado

  • Renan Calheiros é velho conhecido do Conselho de Ética. Enfrentou ali, em 2007, cinco representações que queriam sua cassação depois que VEJA denunciou que uma empreiteira pagava mesadas a uma jornalista que era sua amante. Acabou obrigado a renunciar à presidência do Senado para fugir dos processos

    Waldemir Barreto/Agência Senado

  • Edison Lobão Filho, do PMDB do Maranhão, também chegou ao Senado sem um único voto, na vaga de suplente do pai, o ministro Edison Lobão, das Minas e Energia. Como empresário, é acusado de ser sócio oculto de uma distribuidora de bebidas que sonegou milhões de reais em impostos e de manter uma emissora clandestina de TV no interior do Maranhão

    José Cruz/Agência Senado

  • Em 2005, o senador Romero Jucá durou apenas quatro meses no Ministério da Previdência. Foi obrigado a renunciar depois que surgiram denúncias de que cobrava propina no cargo e ainda ocultava patrimônio. Nunca foi condeando.

    Geraldo Magela/Agência Senado

  • Em 2006, quando governava o Piauí, o TCU recomendou a cassação da candidatura de Wellington Dias à reeleição. Na época, ele recebeu dinheiro federal para a compra de ambulâncias no período eleitoral, o que é proibido por lei. O Ministério Público piauiense o processou por uso políticos dos veículos. Foi citado também em depoimentos da CPI dos sanguessugas

    Moreira Mariz/Agência Senado

  • O senador Mário Couto, eleito em 2006 para o Senado, é suspeito de ligações com o Jogo do Bicho em seu estado, o Pará

    Waldemir Barreto/Agência Senado

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O senador João Alberto Souza (PMDB-MA) foi eleito presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado na tarde desta quarta-feira, tendo Jayme Campos (DEM-MT) como vice. Ele comandará um conselho composto por alguns figurões cuja imagem passa longe da ética e do decoro, como Renan Calheiros (PMDB-AL), amigo do novo presidente.

O colegiado estava incompleto há dois anos, quando o processo contra o atual presidente da casa, José Sarney, foi arquivado, e volta a funcionar com a possibilidade de analisar o caso do senador Roberto Requião (PMDB-PR), que tomou o gravador de um repórter por ter se incomodado com suas perguntas.

Na lista de 15 titulares do grupo que tem como função “advertir, censurar, suspender ou determinar a perda de mandato por quebra de decoro dos parlamentares”, o que não falta é ficha suja. Renan Calheiros sai na frente. Em 2007, o conselho colecionou cinco representações contra ele. 

Um dos motivos foi a revelação, por VEJA, de que a amante do senador, com quem ele tem uma filha, recebia mesada de uma empreiteira. Entre as outras denúncias, estão a de tráfico de influência e a compra de uma emissora de rádio no nome de um laranja. Quando Renan renunciou à presidência do Senado, as acusações foram esquecidas.

Outra figura nada inocente que consta na lista de conselheiros é Gim Argello (PTB-DF), que era cotado para a vice-presidência. Herdeiro da vaga de Joaquim Roriz, que renunciou para fugir de uma cassação, o petebista foi relator do Orçamento em 2010 e teve de sair pela porta dos fundos quando foi acusado de desviar verbas de emendas para entidades fantasmas.

O coeso grupo conta ainda com Romero Jucá (PMDB-RR), que, em 2005, renunciou ao Ministério da Previdência ao tornar-se suspeito de ter recebido propina, e Lobão Filho (PMDB-MA), que tem pai ministro de Minas e Energia e foi réu em processo por estar envolvido na criação de uma emissora de TV clandestina no Maranhão e acusado de ser sócio oculto de uma distribuidora de bebidas que sonegava impostos. A denúncia revelada por VEJA mostrou que a empresa estava no nome de uma empregada doméstica de sócio do Lobão Filho.

Em VEJA - 13 de junho de 2007: "Dinheiro era sempre com Cláudio"

Em VEJA - 16 de janeiro de 2008 - "Dança com lobos"

Em VEJA - 24 de novembro de 2010: "O gigante do orçamento"

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