Mansões no Saco do Mamanguá serão demolidas

Depois de implodir casa de coreano, secretária de Meio Ambiente diz que três construções virão abaixo - uma delas do empresário Xandi Negrão

Leo Pinheiro e Rafael Lemos
A mansão do empresário coreano Kyong Gon Kim veio abaixo com 20 quilos de dinamite: segundo a secretária de Meio Ambiente, Marilene Ramos, construção era irregular

A mansão do empresário coreano Kyong Gon Kim veio abaixo com 20 quilos de dinamite: segundo a secretária de Meio Ambiente, Marilene Ramos, construção era irregular (Oscar Cabral/VEJA)

“A demolição da casa do coreano foi um caso exemplar. Desde que derrubou a primeira árvore ele foi avisado. Foi embargado pelo estado, mas conseguiu liminar. Assim, terminou de construir e chegou a usufruir o imóvel até que a pudéssemos fazer a demolição”, explicou a secretária Marilene Ramos

Depois da passagem dos ‘vampiros’ de ‘Crepúsculo’, é uma espécie de ‘choque de ordem’ que vai agitar a região do Saco do Mamanguá, em Paraty. A área escolhida pela produção do quarto filme da saga, ‘Amanhecer’, é paradisíaca e, em grande parte, intocada. Mas construções irregulares – e suntuosas – começam a macular o “fiorde brasileiro”, como é conhecida esta porção do litoral fluminense.

As ações da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Rio – batizadas de Operação Costa Verde Legal – tiveram início ainda durante as gravações do longa-metragem inspirado na obra da escritora americana Stephenie Meyer: na quarta-feira, o industrial coreano Kyong Gon Kim assistiu à demolição de seu imóvel, uma mansão de 1.600 metros quadrados, erguido em uma área protegida de Mata Atlântica, em Paraty-Mirim. O imóvel estava avaliado em 5 milhões de reais pelos fiscais do meio ambiente – e em 8 milhões pelo coreano, que disse ter perdido objetos de decoração na demolição.

O problema é que, para garantir seu especo e seu conforto no litoral, Gon desmatou – sem autorização – e abriu uma grande clareira à beira-mar. Depois de idas e vindas na Justiça, 20 quilos de dinamite acabaram com a residência de veraneio do empresário.

“A demolição da casa do coreano foi um caso exemplar. Desde que derrubou a primeira árvore ele foi avisado. Foi embargado pelo estado, mas conseguiu liminar. Assim, terminou de construir e chegou a usufruir o imóvel até que a pudéssemos fazer a demolição”, explicou a secretária Marilene Ramos, que mantém em segredo as próximas demolições.

Mas, como afirma, o coreano não é o único que tem desrespeitado as leis. A operação de quarta-feira foi executada por uma Força Tarefa Ambiental, que também mira em pelo menos outras três casas na região. Integram a equipe técnicos do Inea (Instituto Estadual de Ambiente), Ibama, do Batalhão Florestal, do Grupamento Aéreo e Marítimo (GAM) da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Oscar Cabral

O empresário Kyong Gon Kim no que sobrou de sua casa no Saco do Mamanguá: mais três devem ser demolidas

O empresário Kyong Gon Kim no que sobrou de sua casa

 

Durante a operação que demoliu o imóvel do industrial coreano, a Força Tarefa flagrou mais dois terrenos e três mansões em situação irregular. As ocupações ilegais têm um traço em comum: o luxo. A secretária Marilene Ramos destaca que o trabalho de repressão às construções em áreas de proteção ambiental deve ser contínuo. “Estamos sempre descobrindo e autuando novos proprietários. Mas precisamos da autorização da Justiça para poder demolir”, afirma a secretária.

A principal delas esteve envolvida na estrutura da gravação de ‘Crepúsculo’: a do empresário e piloto de Stock Car Xandi Negrão, construída em área da Reserva Ecológica de Juatinga, no Saco do Mamanguá, em Paraty.

O local poderia ser facilmente confundido com um clube ou hotel. São sete bangalôs, sauna, vestiário, salão de jogos, casa de caseiro, garagem para barcos, um píer, uma ponte e ainda um heliponto – este último usado para o embarque e desembarque dos astros Robert Pattinson e Kristen Stewart.

A demolição da casa de Negrão, no entanto, ainda depende da decisão da Justiça, num processo que já se arrasta há anos. Os proprietários costumam se valer de instrumentos legais, como liminares, para seguir adiante com as construções, ignorando os avisos de órgãos como o Ibama e a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente). Segundo Marilene Ramos, não é raro que os proprietários persistam na ocupação irregular mesmo após serem avisados ou até mesmo autuados.

No ano passado, a Secretaria de Ambiente conseguiu autorização para demolir, ainda na fase de construção, cinco edificações, com três pavimentos cada, em Angra dos Reis. Elas fariam parte de uma pousada de luxo. O empreendimento, avaliado em 1,5 milhão de reais, possuía 1.250 metros quadrados de área construída. A demolição ocorreu após o proprietário ser notificado inúmeras vezes, em vão.

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