Mais Lidas

  1. Turista alemão morre ao tentar tirar selfie em Machu Picchu

    Mundo

    Turista alemão morre ao tentar tirar selfie em Machu Picchu

  2. Membros do Estado Islâmico que fugiam de Fallujah são dizimados no Iraque

    Mundo

    Membros do Estado Islâmico que fugiam de Fallujah são dizimados no...

  3. PF descobre laços impróprios entre Toffoli e empreiteiro do petrolão

    Brasil

    PF descobre laços impróprios entre Toffoli e empreiteiro do petrolão

  4. Envenenamento causou morte de empresário investigado na Operação Turbulência

    Brasil

    Envenenamento causou morte de empresário investigado na Operação...

  5. Temer sanciona, com vetos, a Lei das Estatais

    Economia

    Temer sanciona, com vetos, a Lei das Estatais

  6. “Determinar final de operações PF”: diz bilhete encontrado na residência de João Santana e Mônica Moura

    Brasil

    “Determinar final de operações PF”: diz bilhete encontrado na...

  7. Em imagens, o vestido da discórdia em Wimbledon

    Esporte

    Em imagens, o vestido da discórdia em Wimbledon

  8. Renan desengaveta projeto que define crimes de abuso de autoridade

    Brasil

    Renan desengaveta projeto que define crimes de abuso de autoridade

Complexo da Maré: a moleza vai acabar para os bandidos

Polícia começa a ocupar território dominado pelo tráfico e por agentes corruptos

Por: Leslie Leitão - Atualizado em

OS DONOS DA RUA - Bandidos armados (à esq.) e o chefão Menor P com o funkeiro Naldo: certeza de impunidade
OS DONOS DA RUA - Bandidos armados (à esq.) e o chefão Menor P com o funkeiro Naldo: certeza de impunidade (VEJA.com/VEJA)

O assistencialismo sempre foi um pilar do reinado do Menor P: ele distribuía presentes a todos e até promovia peladas com jogadores de grandes times do Rio. Nenhuma celebridade passava pela favela sem lhe render uma visita

A primeira visão do turista que desembarca no Rio de Janeiro pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim é a do Complexo da Maré, imensidão de casebres de tijolos e ferragens aparentes que margeia a Linha Vermelha, um dos principais acessos à cidade. Junto com o vizinho Caju, aquela é de longe a mais populosa área da cidade ainda sob o domínio da bandidagem. São 150.000 moradores vigiados por marginais que circulam por todos os becos com seus rádios de comunicação e fuzis à vista. Trata-se do último enclave do crime situado no cinturão em torno dos locais que serão palco dos megaeventos esportivos sediados no Rio até 2016. Neste domingo, o estado começará a retomar tal território a partir do Caju, ação que tem o objetivo de fincar ali uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), nos moldes de outras trinta já instaladas em favelas cariocas. A ocupação, que contará com 1 200 policiais e o apoio de tanques da Marinha, foi informada previamente, como as demais, para evitar confrontos sangrentos, ainda que isso leve à fuga dos criminosos com seu arsenal. O plano é reaver todo o complexo até junho - às vésperas da Copa das Confederações.

Leia também:

Leia também: Polícia ocupa o Complexo do Caju e a Barreira do Vasco

O conteúdo de investigações, ao qual VEJA teve acesso, não deixa dúvidas sobre como o tráfico se apossou do lugar - pagando vultosas propinas a policiais corruptos. Dois esquemas foram desnudados: o primeiro era liderado por um bando da Delegacia de Combate às Drogas, que, já se sabe, recebia um "mensalão"; o outro, por homens do Bope, a tropa de elite do Rio. Nesse último caso, o inquérito traz à luz as cifras. Eram pagos 12.000 reais por dia a um cabo do Bope, que rateava o dinheiro entre seus colegas de plantão. Em troca, eles cerravam os olhos ao tráfico e à barbárie. Todos os suspeitos já foram afastados de suas funções. O dinheiro vinha de uma única fonte: o traficante Marcelo Santos das Dores, conhecido como Menor P, integrante do alto escalão do crime.

A cena acima, captada de um vídeo obtido por VEJA, mostra como seus asseclas empunhavam fuzis no meio da rua, livremente. O descaramento era tanto que, em 2009, Menor P chegou a "alugar" um blindado da PM para avançar sobre os domínios de uma facção rival. O assistencialismo sempre foi um pilar de seu reinado: ele distribuía presentes a todos e até promovia peladas com jogadores de grandes times do Rio. Nenhuma celebridade passava pela favela sem lhe render uma visita. Muito menos alguém nascido e criado na Maré, como Naldo, o funkeiro do momento. A foto que registra o encontro foi achada em uma busca recente na casa do traficante, que conseguiu escapar. Espera-se que, com a UPP, registros como esse se tornem restos do passado.

Para ler outras reportagens compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet ou nas bancas.

Outros destaques de VEJA desta semana

TAGs:
Polícia Militar
Tráfico
Tráfico de Drogas
Rio de Janeiro