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WikiLeaks publica mais de 20 mil e-mails da campanha de Macron

Documentos hackeados não afetaram os resultados da eleição presidencial francesa

O WikiLeaks publicou nesta terça-feira um arquivo de 21.075 e-mails associados com a campanha eleitoral do presidente da França, Emmanuel Macron. As datas das mensagens vão de 20 de março de 2009 até 24 de abril de 2017. O formato de publicação pelo WikiLeaks permite a realização de buscas por palavras no corpo do texto, por nome de arquivos anexos e por endereço eletrônico.

Os e-mails causaram agito quando foram publicados dois dias antes das eleições presidenciais na França, que aconteceram no dia 7 de maio. Na época, a campanha de Macron divulgou um comunicado em afirmou que um ataque “em massa e coordenado” levou ao vazamento “nas redes sociais de informações internas de diversas naturezas” e denunciou que os arquivos roubados – que além de e-mails incluíam, documentos contábeis e contratos – “foram obtidos semanas antes, graças ao ataque hacker de endereços de e-mail pessoais e profissionais de dirigentes do movimento”.

Ao contrário dos efeitos que vazamentos tiveram na campanha presidencial dos Estados Unidos, o vazamento teve pouco impacto na disputa pelo Palácio do Eliseu. Macron derrotou sua adversária Marine Le Pen com facilidade. A atualização do WikiLeaks, no entanto, pode chamar mais atenção para os arquivos e afetar o presidente, que em julho registrou a maior queda de popularidade dos últimos 22 anos para os três primeiros meses de governo. O líder do partido República em Marcha! viu sua aprovação cair de 64% para 54% do segundo para o terceiro mês de seu mandato, segundo levantamento do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop).

Logo após o vazamento das informações, uma consultoria de inteligência cibernética de Nova York, a Flashpoint, afirmou haver indícios de que um grupo de hackers com laços com a inteligência militar russa esteve por trás do ataque. Outras consultorias confirmaram a suspeita e disseram se tratar do mesmo envolvido na invasão dos servidores do Partido Democrata, nos Estados Unidos, no ano passado. O presidente da Rússia Vladimir Putin negou veementemente qualquer interferência em eleições estrangeiras. De acordo com o chefe da agência de cibersegurança da França, não há evidências que liguem os e-mails da campanha de Macron a outro agente, dizendo que “pode ser qualquer um”.

(com Estadão Conteúdo)