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Vice de Romney ataca Obama e promete: ‘Vamos liderar’

Em discurso na Convenção Republicana, Paul Ryan aceitou a nomeação como vice e decretou que, após 4 anos no governo, o atual presidente 'fracassou'

No discurso mais importante de sua carreira política até agora, o congressista Paul Ryan aceitou a indicação republicana como candidato à vice-presidência dos Estados Unidos e afirmou que ele e Mitt Romney podem promover uma mudança de rumo e resolver os problemas econômicos do país. “Este é o nosso compromisso: nós não vamos evitar as questões difíceis — vamos liderar”, prometeu, arrancando aplausos entusiasmados dos delegados do partido reunidos na convenção republicana, realizada na Flórida.

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Liderança – Apesar dos elogios protocolares a Romney, descrito por Ryan como “devoto, fiel e honrado”, o discurso do vice se concentrou nas críticas ao adversário nas eleições de 6 de novembro, o democrata Barack Obama. Durante sua fala, o congressista procurou passar a mensagem de que, após quatros anos, o governo de Obama “fracassou”. “Sem uma mudança na liderança, por que os próximos anos seriam diferentes dos últimos?”, perguntou ele. “A história que Obama conta, sempre colocando a culpa na última administração, está ficando velha. Ele assumiu o cargo há quase quatro anos. Não é hora de assumir a responsabilidade?”, provocou Ryan, em uma das diversas vezes em que acusou o democrata de falta de liderança.

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Considerado um ortodoxo do rigor fiscal e do controle das despesas públicas, Ryan, que representa a aposta de Romney para cativar os setores mais conservadores do partido, atacou as decisões dispendiosas do governo de Obama, como o plano de estímulo econômico de 2009 e a reforma da saúde de 2010. “Temos que parar de gastar dinheiro que não temos. E eu serei franco com vocês: não há muito tempo”, advertiu. “Mas se formos sérios, inteligentes e liderarmos, podemos fazer isto.”

Inconsistências – Embora o discurso eloquente de Paul Ryan tenha energizado a base republicana presente na convenção, parte da imprensa americana recebeu as declarações com menos entusiasmo. O influente jornal The Washington Post acusou o congressista de caricaturar de forma simplista o presidente Barack Obama e não aprofundar as propostas de seu plano orçamentário.

O Post também apontou inconsistências na fala de Ryan, que criticou Obama pelo corte de 700 bilhões de dólares no seguro de saúde para idosos (Medicare), omitindo que seu próprio plano de redução do déficit propõe um corte semelhante. Percebendo a mesma incongruência, outro jornal, o New York Times, previu que este será um ponto que os democratas deixarão em evidência nas próximas semanas.

Condoleezza e McCain – Antes do discurso de Ryan, outros dois proeminentes republicanos subiram ao palanque e deram o tom da mensagem de regeneração econômica e de recuperaração da liderança em temas globais que estaria presente na fala do vice. Ex-secretária de Estado, Condoleezza Rice defendeu uma participação maior do país nos impasses políticos internacionais. “Se nós não liderarmos, ninguém o fará e haverá caos”, afirmou. Já o ex-candidato presidencial John McCain, derrotado por Obama em 2008, afirmou que Romney vai revitalizar a economia americana e renovar a posição de poder e liderança do país no mundo.

A Convenção Republicana terminará nesta quinta-feira, com o aguardado discurso de Mitt Romney, durante o qual ele aceitará formalmente a sua indicação como candidato do partido a chefiar a Casa Branca.

(Com agências EFE e France-Presse)