Venezuela vai racionar energia para tentar conter apagões

País sofre com blecautes há anos, resultado de medidas desastrosas do governo no setor elétrico. Racionamento foi anunciado após presidente da Comissão Elétrica do Estado de Lara ser preso por denunciar falhas que acarretariam em apagão nacional

O governo venezuelano anunciou nesta terça-feira quais medidas deverão ser adotadas para que o país cumpra o racionamento de energia que o presidente Nicolás Maduro determinou. Oficialmente, o vice-presidente Jorge Arreaza e o ministro de Energia Elétrica, Jesse Chacón, atribuíram a economia forçada às altas temperaturas e à demanda crescente. O jornal venezuelano El Nacional, no entanto, aponta que o anúncio do racionamento ocorre dez dias após a prisão de Luis Váquez Corro, presidente da Comissão Elétrica do Colégio de Engenheiros do Estado de Lara. Acusado de “difundir informações falsas”, ele foi detido por ter denunciado falhas na represa de Guri que poderiam provocar um apagão nacional e terá de comparecer a um tribunal toda vez que for requerido pelos magistrados.

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Em 2007, o caudilho Hugo Chávez nacionalizou setores da economia, incluindo o de energia. Isso levou à deterioração dos serviços de geração e transmissão, a ponto de a pequena capacidade disponível tornar inevitáveis os racionamentos, apesar de a capacidade instalada do país ser maior que a demanda. Desde então, a ausência de investimentos no setor também tem sujeitado a população local a uma série de problemas.

A Venezuela sofreu com grandes apagões em abril de 2008, abril e junho de 2011, e em fevereiro, setembro e dezembro de 2013, quando dezenove Estados ficaram às escuras. Em março de 2014, cinco Estados também ficaram sem energia e em junho um apagão chegou a interromper um discurso de Maduro. O presidente bolivariano alega que os problemas elétricos são causados por “inimigos da pátria” que teriam a intenção de sabotar o seu governo.

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Segundo o jornal El Nacional, o setor público venezuelano terá sua jornada de trabalho restringida a seis horas por dia. Os trabalhadores só serão autorizados a exercer suas funções entre as 7h30 e as 13 horas. O setor privado, incluindo centros comerciais, hotéis e indústrias, terão de adotar um consumo moderado de energia. O governo bolivariano comunicou que haverá constantes inspeções para certificar que os proprietários não estão descumprindo as determinações.

Há relatos de que pequenos cortes de energia afetaram diversos Estados e partes da capital Caracas antes de a administração bolivariana formalizar o racionamento. Caso a onda de calor se concretize, analistas acreditam que a rede elétrica do país não terá capacidade para aguentar a sobrecarga provocada pelo funcionamento em massa de aparelhos de ar condicionado.

(Da redação com Estadão Conteúdo)