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Terroristas do EIIL dominam o primeiro território no Líbano

Ofensiva jihadista começou a respingar no país vizinho à Síria. Radicais também capturaram uma cidade no Curdistão, obrigando milhares de pessoas a fugirem

O grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) estendeu a luta armada para as fronteiras do Líbano. Os jihadistas dominaram nesta semana o primeiro território localizado no país fronteiriço à Síria. Segundo o jornal Daily Telegraph, uma célula do EIIL montou postos de controle na cidade de Arsal, localizada próxima à divisa entre os territórios libanês e sírio. Imediatamente após o anúncio, os chefes da organização extremista integraram o município ao califado autoproclamado no fim de junho, cuja extensão abrange territórios sob seu controle na Síria e no Iraque.

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Relatos dão conta de que tropas do Exército libanês já estão na região para combater os insurgentes, disparando foguetes e colocando em risco não só os 40.000 habitantes de Arsal, mas os 120.000 sírios que buscaram refúgio na cidade após a eclosão da guerra civil em seu país. Até o momento, os militares anunciaram a morte de cinquenta jihadistas. Pelo menos catorze soldados libaneses também foram mortos na ofensiva. Há informações de que 22 policiais e militares foram capturados pelo EIIL e mantidos reféns longe das áreas do conflito.

Os ataques a Arsal começaram no domingo, após a prisão de Abu Ahmed Joumaa, um ex-chefe de uma pequena brigada dos rebeldes moderados Exército Livre Sírio que desertou para o EIIL. O Exército libanês declarou que a prisão de Joumaa foi autorizada após investigações comprovarem a intenção do terrorista de atacar postos de controle militares na região. Arsal é uma cidade sunita que ocupa posição sensível na geopolítica local. Além de funcionar como rota de suprimentos para os insurgentes sunitas que lutam contra o regime do ditador sírio Bashar Assad, o município está cercado por áreas controladas pelos fundamentalistas do Hezbollah. A organização radical é uma das principais aliadas de Assad na região.

Após a captura de Arsal, a chefia do Hezbollah anunciou que ajudará a retomar o controle da cidade, o que poderá arrastar o Líbano de vez para os conflitos sectários desencadeados pela guerra civil síria. A crise, contudo, provocou um raro momento de união entre facções políticas libanesas. O primeiro-ministro sunita Tammam Salam se uniu aos demais políticos que formam seu governo para emitir um comunicado contrário às práticas do EIIL. “O ataque à dignidade nacional do Líbano será retaliado”, disse Salam, que chamou o comportamento dos terroristas de “doentio”.

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Iraque – Os ataques do EIIL contra a região autônoma do Curdistão, localizada ao norte do Iraque, resultaram na captura da antiga cidade de Sinjar. Milhares de pessoas estão fugindo a pé desde domingo, quando os jihadistas tomaram o controle da região. Sinjar também é o lar da minoria religiosa Yazidi, considerada pelo EIIL como uma “adoração ao diabo”. Para simbolizar a intolerância religiosa pregada pelo grupo radical, os terroristas explodiram uma mesquita xiita assim que se estabilizaram no município, segundo o jornal The Washington Post.

Protegida anteriormente por soldados curdos, Sinjar sucumbiu à ofensiva dos radicais após seguidos pedidos de ajuda feitos pelas lideranças políticas locais. Os curdos têm insistido que os seus militares não possuem equipamentos nem treinamento suficiente para conter o avanço dos terroristas. A cidade de Zumar e dois campos de petróleo já haviam sido dominados pelo EIIL. Em Bagdá, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al Maliki, ordenou a Força Aérea a fornecer apoio às forças curdas, mas nenhuma manobra militar surtiu efeito até o momento.

Mapa Estado Islâmico do Iraque e do Levante

Mapa Estado Islâmico do Iraque e do Levante (VEJA)