Termina votação em povoado rebelde chinês

Os habitantes de Wukan, o povoado do sul da China que se rebelou em dezembro do ano passado contra seus dirigentes corruptos, acusados de ter confiscado terras para a posterior venda, terminaram de votar neste domingo em eleições municipais inéditas.

“Todos temos a impressão de que foi um êxito. Acredito que ajudou a aumentar o grau de consciência dos moradores de Wukan”, declarou Hong Tianbin, chefe do comitê designado para supervisionar a votação.

Com o aval das autoridades comunistas, o povoado litorâneo da província de Cantão pôde organizar eleições abertas durante as quais os eleitores escolherão livremente os membros de seu comitê local.

Os 13.000 habitantes de Wukan entraram em rebelião em dezembro passado, exasperados pelo confisco de terras continuamente há anos.

Apesar da censura, este levante foi acompanhado pelos microblogs na China e o povoado de pescadores logo se converteu no símbolo da aspiração democrática na China, país dirigido há seis décadas com mão firme pelo Partido Comunista.

Os habitantes expulsaram os dirigentes comunistas acusados de terem confiscado terras para revendê-las. O povoado se viu submetido a um bloqueio e os líderes da rebelião foram detidos. Um deles morreu na prisão.

No entanto, o governo da província de Cantão por fim cedeu e permitiu aos habitantes organizar esta singular eleição, cujo primeiro turno ocorreu em 11 de fevereiro.

Os habitantes escolheram então 100 representantes, que, por sua vez, deviam apresentar candidatos para a eleição, de sábado e domingo, dos sete integrantes do comitê que governará o povoado.

Um dos líderes da revolta, Lin Zuluan, foi nomeado chefe do Partido Comunista para Wukan, sucedendo um empresário que ocupou o posto por 42 anos.

A China, um Estado dotado de sistema de partido único no qual os dirigentes não são eleitos pelo povo, permite aos habitantes das pequenas localidades votar em nível municipal para eleger um comitê de governo. Mas, no geral, os candidatos são apresentados pelo Partido, sem oposição. E quando há vários candidatos, as fraudes são frequentes.