Senadora acusa CIA de espionar congressistas

A chefe de Inteligência do Senado disse que a agência de inteligência teve acesso a arquivos de senadores que investigavam abusos em interrogatórios

A senadora Dianne Feinstein, presidente do Comitê de Inteligência da Casa, acusou a CIA de espionar políticos que estavam investigando abusos cometidos por agentes durante interrogatórios. Segundo a democrata, a agência invadiu computadores e removeu arquivos armazenados por senadores, o que infringe leis federais e viola os direitos constitucionais garantidos aos congressistas. Para Dianne, a ação foi uma tentativa de intimidar os membros do comitê.

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Ela afirmou que uma apuração interna sobre o ocorrido foi enviada ao Departamento de Justiça para uma possível instauração de processo criminal. Para a senadora, a CIA pode ter violado a quarta emenda à Constituição americana – que garante aos cidadãos que seus pertences, lares e papéis sejam protegidos de investigações indevidas do poder público.

O diretor da CIA, John Brennan, negou as acusações. “Nada poderia estar mais distante da realidade”, disse à rede NBC. “Não faríamos isso. Isso está além do nosso escopo”. Ele também pediu para que o Departamento de Justiça investigue as informações. “Se eu fiz algo errado, irei até o presidente. Ele é o único que pode me dizer para ficar ou sair”, afirmou.

Em condição de anonimato, funcionários da CIA admitiram que buscas foram feitas nos computadores dos senadores, mas justificaram a prática com base em uma medida legal. A espionagem teria sido ordenada para determinar se o Comitê de Inteligência havia acessado arquivos secretos sobre os interrogatórios. A democrata confirmou que cópias de trechos de um relatório interno da agência foram analisadas por senadores, mas disse não saber se os documentos foram fornecidos de forma intencional por funcionários da CIA ou se foram vazados, segundo informou o jornal The Washington Post.

A investigação do Comitê de Inteligência refere-se a um programa de interrogatórios utilizado pelo governo de George W. Bush que incluía a “simulação de afogamento”, e que foi oficialmente encerrado por Obama em 2009.