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Secretário de Justiça dos EUA nega ter mentido ao Congresso

Eric Holder voltou a dizer que não estava envolvido no caso de espionagem contra um jornalista da Fox News. Embora tenha aprovado o mandado de busca, ele nega que a intenção era processar o repórter

O secretário de Justiça Eric Holder fez mais uma tentativa de se descolar dos recentes escândalos de espionagem e intimidação de jornalistas por parte da administração de Barack Obama. Por meio de uma carta endereçada ao Comitê Judiciário do Congresso, Holder assumiu ter conhecimento do mandado que deu início às investigações contra o repórter James Rosen, da Fox News, mas negou ter cometido perjúrio no depoimento em que garantiu a congressistas não ter envolvimento com perseguições a jornalistas. Segundo ele, o objetivo da investigação era processar a fonte do vazamento de informações sigilosas do governo.

“Não concordo com o fato de que usar um mandado de busca contra um membro da imprensa durante uma investigação constitui o desejo de processar este jornalista”, disse o secretário de Justiça. A nova versão dada por Holder já contradiz o depoimento dado em maio aos congressistas. Na ocasião, Holder disse: “Nunca esteve envolvido nisso, nunca ouvi falar sobre isso, ou pensaria ser uma política inteligente”. Posteriormente, uma reportagem da NBC News afirmou que o secretário assinou pessoalmente o mandado de busca. Em seguida, o Washington Post confirmou que o repórter estava na mira da inteligência americana desde 2009.

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Dessa vez, Holder apostou na velha tática de justificar as arbitrariedades do governo com a necessidade de defender a integridade nacional. “Eu acredito que uma investigação completa para descobrir o vazamento de informações confidenciais que ameaçam a segurança nacional foi necessária e apropriada”, destacou. A investigação que envolveu o correspondente da Fox News estava relacionada a um episódio que tinha como protagonista o então conselheiro de segurança do Departamento de Estado, Stephen Jin-Woo Kim. Ele é suspeito de ter vazado, em junho de 2009, um documento confidencial do governo que dizia que a Coreia do Norte provavelmente faria um teste nuclear, em resposta a uma resolução da ONU condenando testes anteriores. Rosen publicou a informação em 11 de junho do mesmo ano.

Embora não tenha citado nomes em seu novo pronunciamento, Holder se isentou de qualquer responsabilidade pelo escândalo. “Como eu expliquei em nossas primeiras cartas, a decisão do governo de requisitar este mandado de busca foi uma etapa investigativa, e em nenhum momento os promotores pediram permissão a mim para processar o repórter criminalmente”, ponderou. Mesmo sem ser o alvo da investigação, Rosen chegou a ser classificado como “cúmplice de conspiração” pelo FBI. Ele também teve ligações e e-mails pessoais interceptados. Além disso, a polícia federal americana vasculhou toda a correspondência entre o repórter e Kim e controlou as suas visitas ao Departamento de Estado.

O caso de espionagem veio à tona após a agência de notícias Associated Press acusar o governo americano de obter secretamente dois meses de registros telefônicos, incluindo telefones residenciais e celulares. Ao prestar esclarecimentos sobre o episódio, Holder adotou o mesmo tom pragmático de discurso e negou ter assinado a ordem para espionar a agência.