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‘Panama Papers’: Macri diz que offshore foi criada pelo pai para investir no Brasil

O presidente argentino afirmou que objetivo da empresa criada pelo pai em paraíso fiscal era investir no Brasil, mas disse que o investimento nunca foi concretizado

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, afirmou nesta segunda-feira que sua participação em uma empresa offshore nas Bahamas, revelada pelo vazamento de informações sobre firmas em paraíso fiscal conhecido como Panama Papers, foi “uma operação lícita”. O mandatário argentino afirmou que seu pai, Franco Macri, criou a offshore há dezoito anos com o objetivo de investir no Brasil com sua empresa Pago Fácil. Segundo Mauricio Macri, o investimento não foi concretizado.

“A sociedade foi criada em 1998 e deixou de operar em 2008 porque não houve investimento. Está tudo perfeito. Ela foi declarada na DGI Argentina [a receita federal argentina]”, disse Macri ao programa Voz y Voto, transmitido pelo Canal C. De acordo com os documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, tornados públicos no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, por sua sigla em inglês), Macri seria sócio da empresa Fleg Trading Ltd.

“Há quem use paraísos fiscais para esconder dinheiro obtido de forma ilícita”, disse o presidente. “Nós não tivemos nem conta bancária”, acrescentou.

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De acordo com um comunicado divulgado no domingo pelo governo argentino, a “sociedade, que tinha como objeto participar de outras sociedades não financeiras como investidora ou holding, era vinculada ao grupo empresarial familiar e, portanto, o senhor Macri fora designado ocasionalmente como diretor, sem participação acionaria”. De acordo com o comunicado, a sociedade constou da declaração de patrimônio e renda do pai do presidente argentino e empresário, Franco Macri.

Os vazamentos incluem 11,5 milhões de documentos de quase quatro décadas da companhia panamenha Mossack Fonseca, especializada em criar e gerir empresas em paraísos fiscais, com informação de mais de 214.000 offshores em duas centenas de países e territórios. O ICIJ, em parceria com veículos de mídia do mundo todo, promete lançar as informações gradualmente nos próximos dias. Participaram da apuração 376 jornalistas, de 109 veículos de mídia, em 76 países.

(Da redação)