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Orlando Zapata é enterrado sob protestos e vigilância cerrada

Foi enterrado nesta quinta-feira em Cuba o corpo de Orlando Zapata, preso político condenado a mais de 30 anos por defender os direitos humanos na ilha. Ele morreu na terça-feira após 82 dias em greve de fome para protestar contra as condições carcerárias no país. O funeral aconteceu sob cerrada vigilância dos agentes de segurança, que incluiu a prisão domiciliar de outros dissidentes.

A mãe de Zapata, Rosa Tamayo, disse a agência de notícias France-Presse que sua casa foi mantida sob a guarda dos agentes do governo. Acompanha de dezenas de pessoas, ela esteve à frente do cortejo, num percurso de poucos quilômetros, de sua casa ao cemitério de Banes, para onde o corpo foi levado em carro fúnebre.

“Acabamos de sepultá-lo, muitos irmãos (dissidentes) me acompanharam, mas sofremos repressões até o último instante do percurso”, disse Rosa. “Queríamos carregar meu filho nos braços, mas não pudemos”, contou. “A morte de meu filho tem que me dar muita força, valor. Esta mãe não admite nenhuma mensagem de condolências de Raúl Castro, porque eles mataram meu filho”, completou.

Zapata, um pedreiro de 42 anos, morreu no hospital de Havana, para o qual foi transferido da prisão em consequência das sequelas da greve de fome que iniciou em dezembro para protestar contra as condições carcerárias. Ele era considerado pela Anistia Internacional um dos 55 “prisioneiros de consciência” dos 200 presos políticos de Cuba.

Logo após a morte, mais de 30 dissidentes foram detidos temporariamente, muitos em suas casas, para impedir que participassem do funeral”, disse Elizardo Sánchez, da Comissão de Direitos Humanos (CCDHRN), considerada ilegal no país.

A polícia se posicionou nos arredores da casa de Rosa Tamayo, na funerária, no cemitério e na entrada da aldeia, relatou à AFP Berta Soler, do grupo Damas de Branco – formada por esposas de presos políticos – que foi a Banes junto com outras opositoras como Martha Beatriz Roque, para expressar condolências.

Em Havana, presos políticos já libertados e opositores colocaram faixas negras nas portas de suas casas e acenderam velas diante de um retrato de Zapata, como aconteceu na residência de Laura Pollán, uma das líderes das Damas de Branco, que abriu um livro de mensagens de pêsames; até agora havia 135 assinaturas.

“Que esta atrocidade lance luz sobre os presos de consciência e por motivos políticos que ainda estão nos cárceres cubanos”, escreveu no livro Yoani Sánchez, que se tornou famosa por seu blog.

(Com agência France-Presse)

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