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Missão da AIEA chega ao Irã para discutir programa nuclear

Uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) chegou nesta segunda-feira a Teerã para tentar buscar uma solução diplomática à questão nuclear iraniana, sobre a qual Teerã multiplicou nas últimas semanas as mensagens de intransigência.

A delegação, dirigida pelo vice-diretor da AIEA, Herman Neckaerts, prevê analisar as “soluções diplomáticas à questão nuclear” ao longo de reuniões com os “responsáveis da Organização Iraniana da Energia Atômica e com outras autoridades”, segundo a agência ISNA, que não deu mais detalhes sobre seu programa.

Esta visita, a segunda em menos de um mês, está destinada a tentar esclarecer os aspectos desconhecidos do programa nuclear iraniano, que, segundo a AIEA, mantém as dúvidas sobre seus verdadeiros objetivos.

Estados Unidos, Israel e várias potências ocidentais temem, apesar das negativas do Irã, uma possível dimensão militar do programa nuclear iraniano, condenado por seis resoluções da ONU, quatro delas acompanhadas por sanções que depois foram reforçadas unilateralmente pelos países ocidentais.

A missão anterior da AIEA, de 29 a 31 de janeiro, foi classificada de “boa pela agência da ONU, que havia ressaltado que seguia existindo “muito trabalho a ser feito”.

Segundo diplomatas ocidentais em Viena, nesta oportunidade os inspetores não puderam se reunir com todas as autoridades iranianas que desejavam, nem visitar algumas das instalações suspeitas.

Neckaerts manifestou no domingo antes de sua saída que esta nova visita permitiria obter “resultados concretos”, quando Teerã e as grandes potências entraram nestas últimas semanas em um ciclo de demonstrações de força em previsão de uma possível retomada das negociações nucleares.

No domingo, o Irã disse querer uma retomada rápida das negociações com o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha), seu interlocutor neste assunto.

Após quatro meses de espera, Teerã deu na semana passada autorização para a proposta das grandes potências, realizada em outubro, de retomar um diálogo que se encontra em ponto morto há um ano.

Mas enquanto isso os ocidentais endureceram as sanções contra o Irã, como consequência de um informe alarmante da AIEA. Em janeiro decretaram um duplo embargo contra a compra de petróleo iraniano e contra o banco central iraniano.

O Irã respondeu no domingo, ao anunciar o fim do fornecimento de petróleo à França e Grã-Bretanha, os dois países mais favoráveis às sanções contra Teerã, e nesta segunda-feira, ao ameaçar encerrar suas vendas de petróleo a outros países europeus se a Europa continuar com suas “ações hostis” contra Teerã.

Citado pela agência Mehr, o presidente da companhia nacional petroleira do Irã (NIOC), Ahmad Ghalebani, mencionou a Alemanha, Espanha, Itália, Grécia, Portugal e Holanda como alvos potenciais da medida.

Além disso, a República Islâmica iniciou nesta segunda-feira quatro dias de manobras militares para fortalecer a defesa antiaérea de suas instalações nucleares, indicou a agência oficial IRNA citando um comunicado militar.

Segundo o comunicado da liderança da defesa antiaérea iraniana, as manobras, batizadas de “Sarollah” (“vingança de Deus”), serão realizadas “na metade sul do país”, principalmente em torno do Golfo.

Estas respostas ao embargo europeu reforçam as mensagens de firmeza em direção aos ocidentais que os líderes de alto escalão iranianos multiplicaram nas últimas semanas.

Nem as sanções, nem as ameaças militares cada vez mais insistentes de Israel farão o Irã renunciar aos seus “legítimos direitos” em questão nuclear, reafirmou no dia 11 de fevereiro o presidente Mahmud Ahmadinejad.

Como prova de sua determinação, Teerã anunciou nas últimas semanas um crescimento de 50% de sua capacidade de enriquecimento de urânio e o início do funcionamento de sua segunda usina de enriquecimento em Fordo, no sul de Teerã, dois temas no coração de seu conflito com a comunidade internacional.