Maré negra quase triplica de tamanho em um mês

O derramamento de petróleo no Golfo do México quase triplicou de tamanho em um mês, e hoje tem uma dimensão total de 24.400 quilômetros quadrados, similar ao estado de Maryland (nordeste dos EUA) ou mais do que o dobro da ilha da Jamaica, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira pela Universidade de Miami (Cstars).

Um conjunto de três imagens por satélite do vazamento tiradas durante 12 horas entre a noite de terça-feira e a manhã desta quarta-feira por um centro especializado em análises de satélites da Universidade indica que a maré negra “tem agora uma superfície de 9.435 milhas quadradas (24.435 km2), quase como o estado de Maryland”.

“Uma parte do petróleo está se movendo em direção aos keys da Flórida”, indicou o estudo, concluído na manhã desta quarta-feira. No dia 1º de maio o tamanho do vazamento era de 9 mil quilômetros quadrados, segundo imagens por satélites tiradas pelo mesmo centro universitário.

Flórida – A mancha criada pelo vazamento de petróleo há mais de um mês no Golfo do México está a ponto de alcançar o litoral da Flórida, depois de ter contaminado a costa da Lousiana, no que o governo já considera a pior catástrofe ecológica dos Estados Unidos. O petróleo está a apenas 11 km da costa do turístico estado da Flórida, segundo a Agência Americana Oceânica e Atmosférica (NOAA).

“A mancha de petróleo deverá alcançar as costas do estado nas próximas 72 horas”, afirmou, por sua parte, um funcionário da Agência de Proteção ambiental da Flórida, num momento em que falta pouco para o início da temporada de verão do hemisfério norte. Os ventos e as más condições climáticas dificultam os trabalhos de limpeza, informaram os funcionários. “É inevitável que vejamos petróleo em nossas praias”, disse Keith Wilkins, encarregado de serviços comunitários do condado de Escambia, após conhecer os prognósticos para os próximos dias.

O governador da Flórida, Charlie Crist, declarou a costa estadual voltada para o Golfo do México e condados do sul, inclusive Miami, em estado de emergência, por temor de que a corrente marinha possa arrastar parte da maré negra.

Leis – Enquanto isso, o presidente Barack Obama prometeu, nesta quarta-feira, conseguir os votos necessários no Senado para aprovar sua lei sobre energia e clima, afirmando que a “catástrofe” provocada pelo vazamento de petróleo no Golfo do México pôs em evidência sua importância.

“A única forma de fazer com que a transição para energias limpas tenha sucesso é que o setor privado se envolva completamente”, afirmou Obama, segundo o texto de um discurso que dará esta quarta em Pittsburgh (leste).

“A única forma de fazê-lo é fixar, finalmente, um preço para a contaminação com carbono”, acrescentou, lembrando que a câmara baixa já adotou o texto, que até agora está parado no Senado. “Talvez neste momento não tenha os votos, mas tenho a intenção de encontrá-los nos próximos meses”, disse Obama, que na terça-feira tinha prometido tornar legalmente responsáveis os culpados pela “catástrofe”.

Tentativas frustradas – Até agora fracassaram todas as tentativas da petroleira British Petroleum (BP) para conter a pior maré da história americana. Os engenheiros da empresa agora preveem colocar um ‘funil’ com o objetivo de recuperar o petróleo que flui a 1.500 metros de profundidade e armazená-lo num navio na superfície.

O plano já encontrou seu primeiro obstáculo na quarta-feira, quando uma serra que estava sendo usada para cortar tubulações danificadas no poço travou. “Qualquer um que tenha usado uma serra sabe que de vez em quando trava. Isso é o que está acontecendo aqui”, disse Thad Allen, oficial da Guarda Costeira americana.

Segundo Allen, agora espera-se conseguir destravar a serra ou enviar uma nova. Se todos os canos forem cortados, o passo seguinte seria instalar um funil e bombear o petróleo para um barco na superfície.