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Três décadas após ditadura, irmãos argentinos irão se reunir

O homem de 40 anos, que não teve sua identidade revelada, pediu um tempo para se reencontrar com seus parentes biológicos

A ONG argentina Avós da Praça de Maio encontrou o neto 121, filho de desaparecidos da ditadura (1976-1983). O homem de 40 anos, que não teve sua identidade revelada, pediu um tempo para se reencontrar com sua família biológica.

As Avós e os parentes do neto 121 estão felizes e ansiosos pelo novo encontro da organização. “Aqui há uma família que tem 40 anos de amor para te dar. Somos incondicionais, não colocaremos condições em nada, queremos te abraçar, estamos te esperando”, disse nesta quarta-feira Ramiro Menna, irmão do então bebê roubado.

Os Menna são filhos dos desaparecidos Ana María Lanzillotto (Ani), e Domingo Menna (El Gringo), ambos militantes do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT, marxista), cuja facção armada, o ERP, foi um dos principais agrupamentos guerrilheiros argentinos nos anos 1960 e 1970.

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“Mais um passo na reconstrução da pátria”, disse Ramiro em uma coletiva de imprensa na sede da ONG em Buenos Aires, acompanhado de sua tia Alba Lanzillotto. Ele ressaltou que ter achado seu irmão não é um assunto particular, mas uma “conquista em nossa pátria que se reconstrói, que dá passos muito importantes no auge de uma luta que sempre foi pela reivindicação da justiça”. Ramiro Menna, hoje professor, é dois anos mais velho que o irmão, que segundo a imprensa seria um médico de Buenos Aires.

As avós destes jovens, hoje falecidas, participaram da luta da ONG presidida por Estela de Carlotto para procurar pelo filho que Ani carregava, aos oito meses de gestação, quando foi presa em 1976. “O que deve ser festejado é que temos a maior democracia de nossa história. Essa ditadura de 1976 tem que ser a última e isso só depende de nós”, destacou Carlotto.

Ansiedade

O próprio Ramiro soube de sua verdadeira história já adolescente, por meio de seus tios que conseguiram resgatá-lo – ele foi sequestrado com seus pais, quando tinha apenas dois anos de idade.

Alba Lanzillotto, ex-secretária das Avós da Praça de Maio, não escondeu sua ansiedade de se encontrar com o sobrinho. Ela reiterou que dariam todo o tempo que fosse necessário para que ele decidisse o momento do reencontro, sem esconder que espera que esse prazo “seja mais curto do que longo”.

“Quero te ver porque queremos ver parte do Gringo, parte de Ani; porque sempre há um sorriso, um sorriso que te faz relembrar esses entes queridos que já não estão mais aqui”, admitiu.

(Com AFP)

 

 

Comentários

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  1. Sergio Campos

    E os milhares filhos e netimhos “sumidos” e torturados pelos microondas e julgamentos sumários do crime organizado das novas democracias latinas, sem falar da atuação das molicias e órgãos de segurança dos governos populistas esquerdistas?

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  2. José Carlos Lopes de Oliveira

    Esse é o maldito saldo das ditaduras. Gostaria de ver os petralhas na Venezuela, pedindo para poderem voltar ao Brasil e reencontrar seus familiares que preferiram ser brasileiros e não puxa-sacos de assassinos bolivarianos amigos do milionários comunista Lulla.

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