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Julgamento do Mensalão começa com 38 acusados no banco dos réus

Brasília, 2 ago (EFE).- O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quinta-feira ao julgamento do chamado caso ‘Mensalão’, no qual três ex-ministros e outros 35 políticos e empresários respondem pelos escândalos que em 2005 puseram em xeque o governo Lula.

O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, declarou aberta a sessão e logo em seguida leu um por um os nomes de todos os acusados do caso, que trata sobre a suposta rede de subornos a parlamentares e financiamento ilegal de campanhas políticas.

Após a leitura, o advogado Marcio Thomas Bastos, defensor de alguns dos acusados e ministro da Justiça durante o governo Lula, pediu a palavra para solicitar ao tribunal que julgasse cada um deles em forma individual e não em grupo, como propõe o Supremo, que começou a ser debatido pelos juízes.

O pedido de Bastos gerou a primeira grande polêmica, já que o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, desprezou plenamente o pedido ao afirmar que o assunto já havia sido ‘discutido e decidido’.

No entanto, o magistrado Ricardo Lewandowski, que atua como revisor do caso, se pronunciou em favor de Bastos, o que irritou Barbosa, que considerou uma ‘deslealdade’ a posição de seu colega.

Em meio às discussões, os juízes deram início a um debate dentro do próprio processo, para determinar de forma definitiva se o recurso apresentado pela defesa é cabível ou se vale a posição que o Supremo tinha adotado inicialmente.

Entre os acusados há membros do PT e de outras legendas da atual coalizão de governo: o PMDB, o PP, o PTB e o PR, nascido em 2006 após a extinção do PL, um dos mais envolvidos na trama.

Também aparecem três ex-dirigentes do Banco Rural e outro do Banco do Brasil, três operadores do mercado financeiro, um ex-funcionário do Ministério do Trabalho e oito empresários do ramo da publicidade.

O Supremo calculou que o processo, que vem sendo chamado pela imprensa de ‘o julgamento do século’ e será integralmente transmitido pela televisão, demandará pelo menos 15 sessões até chegar à sentença, prevista para meados de setembro. EFE