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Governo espanhol calcula déficit de 8% e anuncia cortes

Madri, 30 dez (EFE)- O Governo espanhol de Mariano Rajoy anunciou nesta sexta-feira que o déficit público do fim de 2011 rondará 8% do Produto Interno Bruto (PIB), ‘muito mais elevado do que havia comunicado e comprometido o anterior Governo’ socialista.

A afirmação partiu nesta sexta-feira da vice-presidente e porta-voz do executivo conservador de Mariano Rajoy, Soraya Sáenz de Santamaría, que revelou em entrevista coletiva as primeiras decisões do Governo para combater a crise, entre elas o congelamento dos salários dos empregados públicos.

O Governo anterior socialista havia previsto para 2011 um déficit de 6% do PIB, mas o novo cenário ‘extraordinário e não desejado’ obrigará a adotar ‘medidas extraordinárias’, justificou Santamaría.

A porta-voz disse que aprovou corte de despesa de 8,9 bilhões de euros por meio de um acordo de não disponibilidade de crédito que limitará o orçamento dos diferentes ministérios durante o primeiro trimestre do ano.

Com relação às medidas de austeridade anunciadas, será mantido em 2012 o congelamento dos salários dos empregados públicos, será ampliada a jornada de trabalho na administração pública para 37,5 horas, e congelado o elenco de todas as administrações, salvo dos serviços básicos.

Também ficará congelado, pela primeira vez na democracia espanhola, o salário mínimo interprofissional, que na Espanha é atualmente de 641 euros por mês.

O Governo aprovou aumentar durante dois anos o chamado Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF), no que diz respeito aos rendimentos de trabalho e ‘especialmente de capital’.

A única verba que o executivo aumentará será a relativa às pensões de aposentadoria, que serão aumentadas em 1% em 2012, o que corresponde ao reajuste previsto do Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

Santamaría garantiu que as medidas adotadas nesta sexta-feira são ‘o início do início’ de um pacote de ajustes estruturais imprescindíveis para reduzir o déficit e dinamizar a economia espanhola.

Mas ressaltou que seu Governo quis ‘proteger os mais frágeis’, aqueles que já não podem fazer mais sacrifícios, por isso que anunciou que serão mantidas ajudas como os 400 euros mensais pagos pelos desempregados esgotaram suas prestações, uma quantidade introduzida pelo anterior Governo socialista. EFE