Farc cogitam adiar entrega de armas após captura de guerrilheiro

A entrega de armas deveria ter terminado em 29 de maio

O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, de codinome “Timochenko”, disse neste domingo que está considerando “ordenar o adiamento” da entrega de armas que deveria concluir em 20 de junho, devido à captura de um guerrilheiro identificado como “Yimmi Ríos”.

“Perante a captura de ‘Yimmi Ríos’, que está (realizando) tarefas relacionadas com a implementação (do acordo de paz), estou considerando ordenar o adiamento da entrega de armas”, escreveu em sua conta no Twitter.

Segundo explicou o líder guerrilheiro, “Yimmi Ríos” tinha permissão para participar destes trabalhos após um acordo ao qual chegou com o Alto Comissionado da Paz, Sergio Jaramillo, e com Mónica Cifuentes, assessora do seu escritório, “com conhecimento do presidente (Juan Manuel) Santos”.

“Com o argumento que foi capturado ‘Yimmi Ríos’, qualquer integrante das Farc que esteja em tarefas da implementação pode ser detido”, acrescentou “Timochenko”. Há uma semana o governo colombiano e as Farc decidiram estender até 20 de junho a entrega de armas por parte da guerrilha, que inicialmente deveria ter terminado em 29 de maio, devido a demoras surgidas no processo de implementação do acordo de paz por diferentes motivos.

Segundo explicaram fontes da guerrilha, “Yimmi Ríos”, que faz parte do Bloco Martín Caballero das Farc, foi detido neste domingo, em Bogotá. A polícia lhe solicitou a carteira de identidade durante uma blitz rotineira e o guerrilheiro foi detido quando comprovaram que sobre ele pesavam ordens de busca por vários delitos.

Segundo essas fontes, “Yimmi Ríos” é alvo de uma circular vermelha, utilizada pela Interpol para solicitar a detenção preventiva com vistas à extradição, razão pela qual somente um juiz pode colocá-lo novamente em liberdade.

O escritório do Alto Comissionado para a Paz confirmou neste domingo que o guerrilheiro teve a ordem de captura suspensa por uma resolução presidencial e outra do procurador-geral. “Estava em Bogotá há dois meses realizando tarefas próprias do processo de paz dirigidas à consolidação da listagem dos membros das Farc que farão seu trânsito à legalidade”, acrescentou o escritório.

No entanto, a suspensão da ordem de captura foi feita em nome de “Yimmi Ríos”, que proporcionou às autoridades sua alcunha de guerrilheiro e não o seu nome real, o que pode ter dado origem à confusão de hoje.

“Neste momento está na audiência de legalização de captura e estão sendo realizadas as gestões correspondentes para esclarecer que se trata da mesma pessoa”, ressaltou o Escritório do Alto Comissionado.

(Com EFE)