Fabricante das bombas dos atentados de Bali nega ter se reunido com Bin Laden

Jacarta, 20 fev (EFE).- O fabricante das bombas dos atentados de Bali de 2002, Umar Patek, negou nesta segunda-feira na segunda audiência de seu julgamento na Indonésia que teria se reunido com o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, antes de sua morte no Paquistão no ano passado.

Patek, de 45 anos, que começou a ser julgado na semana passada, foi detido em janeiro de 2011 na localidade paquistanesa de Abbottabad, a mesma onde quatro meses depois um comando americano matou Bin Laden.

A coincidência levou as autoridades indonésias a considerar que o líder da organização Jama Islamiya estava em Abbottabad para se reunir com Bin Laden e aumentar os vínculos entre sua rede e a Al Qaeda.

No entanto, os advogados da defesa argumentaram que o fato foi uma ‘casualidade’.

‘Ele foi ao Paquistão como parte de seus planos para chegar ao Afeganistão, mas nunca teve intenção de encontrar-se com Osama bin Laden’, disse o advogado Asludin Hatjani.

Patek enfrenta as acusações de assassinato premeditado, posse de armas e criação dos explosivos que causaram 202 mortos nos atentados de outubro de 2002 em Bali, acusações que poderiam condená-lo a pena de morte.

A defesa alega que Patek desconhecia qual seria a utilização dos explosivos, e portanto não é culpado de assassinato.

‘O acusado só foi convidado por Imame Samudra – um dos cérebros do atentado – a misturar o material explosivo’, expôs sua defesa.

Além disso, seus advogados afirmam que a dura lei antiterrorista que a Indonésia aprovou em 2003 não tem caráter retroativo, e não seria aplicável a este caso.

O terrorista indonésio admitiu ter misturado os mais de 700 quilos de explosivos que foram detonados em três explosões quase simultâneas em uma região de bares e restaurantes próxima ao consulado dos Estados Unidos na turística ilha de Bali.

Patek também enfrenta as acusações de assassinato premeditado pelos ataques com bombas a igrejas de Jacarta no ano 2000, assim como conspiração para cometer atos terroristas, posse de armas e explosivos e falsificação de documentos.

A organização terrorista Jama Islamiya, considerada o braço da Al Qaeda no Sudeste Asiático e responsável pelos atentados mais sangrentos da região na última década, pretende estabelecer um califado islâmico na Indonésia, Malásia, Cingapura, no sul das Filipinas e Tailândia. EFE