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Escalada militar na Síria amplia papel da Rússia no Oriente Médio

Equipamentos enviados para território sírio sugerem intenções russas de fornecer armamento para o governo de Bashar Assad

A Rússia enviou seus mais modernos tanques de batalha para uma nova base aérea na Síria, informaram oficiais americanos nesta segunda-feira. A escalada militar na região pode dar a Moscou seu mais poderoso ponto de apoio no Oriente Médio em décadas, aponta o jornal The New York Times.

Oficiais do Pentágono em Washington afirmaram que o abastecimento da base aérea demonstra as intenções da Rússia em transformar o sul da Lataquia, região ocidental do país, em um importante centro de distribuição de armamento militar para o governo de Bashar Assad. A região também poderia servir como base de lançamento de ataques aéreos contra os rebeldes sírios.

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Esse desenvolvimento militar russo, que tem apoiado Assad durante a guerra civil que já dura quatro anos e meio, adiciona um novo motivo de atrito na relação com os Estados Unidos. O secretário de estado americano, John Kerry, já alertou Lavrov sobre os perigos da atividade militar na Síria, que pode aumentar ainda mais o caos no país e levar até mesmo a um confronto inadvertido com os Estados Unidos, que lideram as forças de ataque ao Estado Islâmico.

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“O que nós gostaríamos de ver é o movimento em direção a uma transição política”, afirmou John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado. “Nós ainda acreditamos que existe uma oportunidade de buscar esse tipo de transição em acordo com as autoridades russas, mas isso não pode começar enquanto essa cumplicidade e apoio aberto e contínuo ao regime de Assad existir”.

Oficiais americanos avaliam diferentes hipóteses para explicar os movimentos russos na Síria, desde preparações para atacar o grupo terrorista Estado Islâmico até uma investida contra as forças rebeldes que lutam contra os militares de Assad – hipótese considerada a mais provável. Uma outra perspectiva revelaria as intenções russas de aumentar sua influência política no regime sírio e nos países vizinhos. A nova fase do plano russo pode ficar mais clara quando o presidente Vladimir Putin visitar as Nações Unidas no final do mês e descrever suas propostas para a crise síria.

(Da redação)