Chávez confirma que foi operado de novo câncer e fará radioterapia

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, confirmou neste domingo que um segundo tumor que foi extraído em Cuba há uma semana na mesma região onde, em 2011, foi retirado um primeiro, é uma “recorrência do câncer”, e por isso se submeterá em breve à radioterapia, a sete meses das eleições nas quais busca um novo mandato.

“O tumor foi extirpado em sua totalidade e foi confirmado o que já se supunha: o mesmo é uma recorrência do câncer diagnosticado inicialmente”, anunciou o presidente em um programa da rede de televisão oficial VTV gravado no sábado, mas divulgado neste domingo.

“Depois destas semanas de recuperação vamos fazer um tratamento de radioterapia na região”, acrescentou o presidente de 57 anos, que não descartou “outras opções de tratamentos complementares”.

Chávez assegurou, no entanto, que “o mais importante” é que foi constatada “a ausência de lesões sugestivas de câncer” em nível local, em órgãos próximos ou longe da zona comprometida.

“Nem à distância, nem metástase, nem gânglios, nem nada disso, graças a Deus. (…) Por isso estamos tão otimistas nesta batalha”, reafirmou o presidente no vídeo divulgado de Havana, sem adiantar sua data de regresso à Venezuela.

Pouco antes, Chávez havia afirmado que sua recuperação depois da cirurgia realizada no domingo era “franca” e “sustentada”, embora ainda não tiesse revelado que a nova “lesão”, como ele a chamava, era um tumor maligno.

Depois, o chefe de Estado explicou que o novo tumor media dois centímetros, menor que o anterior, que era do tamanho de “uma bola de beisebol”, como descreveu então.

De bom humor e acompanhado de alguns ministros, entre eles o chanceler Nicolás Maduro, de funcionários do Estado e de familiares, como sua filha Rosa ou seu irmão, o governador Adán Chávez, o presidente comentou que nestes dias recebeu telefonemas de apoio da presidente Dilma Rousseff, de Sebastián Piñera, presidente do Chile, Rafael Correa, do Equador, entre outros.

Também agradeceu os votos enviados pelo ex-astro de futebol argentino Diego Maradona.

“É um grande amigo”, disse Chávez.

O presidente foi operado em junho de 2011 de um primeiro tumor na zona pélvica, também em Havana, onde nos meses seguintes se submeteu a três de quatro ciclos de quimioterapia para combater um câncer cuja localização e natureza nunca foram reveladas.

Desde 1999 no poder, Chávez deseja ser eleito para um novo mandato de seis anos nas eleições de 7 de outubro, nas quais deve enfrentar o candidato opositor Henrique Capriles Radonski, governador do rico estado de Miranda (norte), o segundo mais povoado do país.

Capriles, um advogado que afirma ser da centro-esquerda, prometeu percorrer o país casa por casa em busca de votos. Nesta semana iniciou um giro nacional.

O presidente assegura que vencerá as eleições por “nocaute”, apesar de sua doença.

A 13 anos de sua chegada ao poder, Chávez segue gozando de alta taxas de popularidade – acima dos 50% – sobretudo entre as classes mais populares, a quem dirigiu a maior parte de suas políticas de governo.

De Havana, Chávez se comunicou por telefone com o canal VTV nos últimos dias, enviando saudações ou inclusive instruções aos seus ministros para demonstrar que segue à frente do governo, assim como em 2011, quando tampouco delegou funções ao seu vice-presidente quando foi operado.