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Antes de pousar no Brasil, Putin passa por Argentina e Cuba

Em Buenos Aires, presidente russo pretende reforçar cooperação nuclear com Cristina Kirchner. Em Havana, ele vai cultivar velha amizade com ditadores

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, impulsionará a cooperação nuclear com a Argentina durante a visita oficial que fará a Buenos Aires no próximo sábado, informou nesta quinta-feira o Kremlin. A visita à Argentina é segunda parada da viagem de Putin pela América Latina. O presidente russo vai antes a Cuba e depois vem participar da VI Cúpula dos Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Brasil, entre os dias 14 e 16 de julho, mas antes ele vai assistir à final da Copa do Mundo no Maracanã, entre Alemanha e Argentina, no dia 13.

Segundo o assessor do presidente russo para assuntos internacionais, Yuri Ushakov, Putin deverá expor o interesse da corporação atômica russa Rosatom de participar da construção da usina nuclear argentina Atucha III. Ushakov adiantou que, após as conversas entre os presidentes da Rússia e da Argentina, Cristina Kirchner, ambos os líderes devem assinar um “acordo de cooperação no âmbito do uso da energia nuclear com fins pacíficos”.

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Há algumas semanas, o presidente da Rosatom, Sergei Kiriyenko, ressaltou o interesse de sua corporação em ampliar a cooperação com a América Latina, especialmente com Argentina e Brasil. “Estamos interessados em ampliar nossa colaboração com Argentina e Brasil. Temos bons contatos”, disse Kiriyenko ao ressaltar que a América Latina, um mercado não tradicional para a Rússia, é “uma das prioridades de desenvolvimento da Rosatom”. A usina de Atucha III, um projeto avaliado em 3 bilhões de dólares (6,6 bilhões de reais), será a quarta planta nuclear da Argentina.

No plano político, Ushakov destacou o “grande nível de sintonia” entre Moscou e Buenos Aires e acrescentou que as posturas de ambos os países frente a maioria dos problemas internacionais são coincidentes ou próximas. “A Argentina compartilha nossa avaliação da situação na Ucrânia. Nossas posições são muito próximas”, disse o assessor presidencial, que destacou que a presidente argentina criticou publicamente a diferença de abordagens – “dois pesos e duas medidas”, disse Cristina – do Ocidente diante de situações como a da Crimeia ou das ilhas Malvinas.

Cuba – Aliados desde a época da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Moscou e Havana seguem próximos e Putin pretende reforçar essa relação com uma visita nesta sexta-feira à ilha governada pelos irmãos Fidel e Raúl Castro. Em Cuba, o presidente russo se reunirá “informalmente” com ex-ditador Fidel Castro. Putin também vai se encontrar com o atual ditador, Raúl Castro, e juntos eles devem assinar um pacote de acordos de colaboração nos âmbitos de cultura, indústria, comércio e saúde.

Ushakov, se referiu ao “grande projeto” que se desenvolve na ilha, a construção de um novo aeroporto internacional em San Antonio de los Baños. A nova instalação, que será erguida junto à base militar da capital, ficará a cerca de 10 quilômetros do atual terminal José Martí. De acordo com o assessor, a principal companhia aérea russa, Aeroflot, mantém negociações com os cubanos para a exploração conjunta de uma companhia aérea que, além de efetuar voos nacionais, poderia transportar passageiros de Havana para outros destinos da América Latina.

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Entre suas declarações, o assessor presidencial também fez questão de lembrar que a visita de Putin a Cuba sob um cenário de perdão de 90% da dívida que Cuba tinha com a extinta URSS. O acordo, que foi alcançado em outubro de 2013 após uma longa negociação, foi ratificado pelo legislativo russo no último dia 4 de julho, e prevê o perdão de uma dívida de 31,7 bilhões de dólares (70,5 bilhões de reais). O restante da dívida, cerca de 3,5 bilhões de dólares (7,7 bilhões de reais), deverá ser pago por Havana em vinte parcelas durante os próximos dez anos.

(Com agências EFE e France-Presse)