Acordo Israel-Hamas para troca de prisioneiros por soldado Shalit

Israel e o Hamas divulgaram nesta terça-feira a conclusão de um acordo sob mediação egípcia para a troca do soldado franco-israelense Gilad Shalit, detido em Gaza desde 2006, em troca de 1.000 prisioneiros palestinos.

“Apresento ao governo um acordo que trará Gilad Shalit são e salvo de volta a seus pais e a todo o povo de Israel dentro de alguns dias”, declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

“Este acordo foi rubricado na quinta-feira (passada) e assinado definitivamente hoje (terça-feira)”, afirmou.

Netanyahu admitiu que foram “negociações difíceis”, e disse que quis aproveitar “uma oportunidade”. Também agradeceu o Egito por seus esforços como mediador.

Este acordo deve ser ainda aprovado em uma votação do governo israelense que se reuniu em sessão urgente nesta terça-feira à noite.

O Hamas tinha informado anteriormente o acordo. Uma fonte próxima ao movimento islâmico informou que “entraria em vigor antes de uma semana” e que o chefe do Hamas, Khaled Mechaal, “faria um importante discurso” pela noite.

“O acordo de troca se aplicará dentro de alguns dias”, confirmou em seu site o braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al Qasam, que tinham participado do sequestro do soldado.

“Hamas e Israel chegaram a um acordo em virtude do qual 1.027 palestinos, entre eles 27 mulheres, serão libertados em duas fases”, declarou Mechaal durante uma entrevista coletiva à imprensa transmitida pelas televisões árabes.

Mechaal, que também agradeceu ao Egito por sua participação neste acordo que ele classificou de “grande realização”, indicou que 450 prisioneiros serão libertados “em uma semana” e que 550 outros, “em dois meses”.

“É uma grande realização, é um êxito qualitativo”, disse Mechaal, chefe do gabinete político do movimento islamita palestino. “Em virtude do acordo, não resta mais nenhuma mulher nas prisões do inimigo”, disse o líder palestino.

O acordo de troca envolve “315 prisioneiros condenados à prisão perpétua e outros que cumpriam penas de mais de 10 anos”.

Marwane Barghuthi, um dos líderes da Intifada dos anos 2000, e o chefe da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP, esquerda radical) Ahmad Saadate, condenados respectivamente à prisão perpétua e a 30 anos de prisão por Israel, foram libertados nos termos deste acordo, indicou à AFP um alto funcionário palestino.

Além de Netanyahu e de seu ministro da Defesa, Ehud Barak, o chefe do Estado-Maior, Benny Gantz, o líder do Shin Beth, Yoram Cohen, e o chefe do Mossad, Tamir Pardo, são todos favoráveis ao acordo com o Hamas, indicou a televisão pública israelense.

O soldado Gilad Shalit está preso em Gaza desde 2006 após o seu sequestro por grupos armados palestinos.

Em viagem pela América Latina, o presidente palestino Mahmud Abbas saudou este acordo.

“O presidente Abbas saúda calorosamente a conclusão de um acordo de troca (de prisioneiros) que é um êxito nacional palestino”, declarou à AFP o negociador Saeb Erakat por telefone de Caracas, onde acompanha o líder palestino.