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CBH usa exemplo do futebol, prioriza ‘europeus’ e irrita cavaleiros

Esporte individual, com participação de um animal e considerado de elite devido aos valores envolvidos, o hipismo está longe de ser tão representativo para o Brasil como o futebol, mas a Confederação Brasileira da modalidade usa o exemplo da atividade mais popular para justificar a maneira como seleciona os conjuntos que vão defender o País em competições importantes.

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Assim como o técnico Mano Menezes escolhe, a seu critério, aqueles que jogarão pela Seleção, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) deixou, durante muitos anos, a cargo de uma única pessoa definir quem compunha o time verde-amarelo, seja em Pan-americanos ou Olimpíadas, a despeito da pontuação de cada conjunto nos concursos. E, neste processo, eram selecionados, quase sempre, cavaleiros que moravam e competiam na Europa – casos de nomes como Rodrigo Pessoa e Álvaro Afonso de Miranda Neto, o Doda.

‘O Brasil é o País do futebol e mesmo assim a maioria dos jogadores prefere jogar na Europa. Por quê? Porque lá o nível é muito superior, o investimento é altíssimo, os concursos são de primeira. Quem vai competir lá são os mesmos que participam de Olimpíadas, são 50 do mesmo nível, enquanto aqui são uns três cavaleiros que se destacam’, compara Luiz Rocco, secretário executivo da CBH.O panorama, contudo, começou a mudar a partir do Pan-americano do Rio de Janeiro-2007, quando os atletas que montavam no Brasil reivindicaram mais espaço na equipe justamente pelo fato de a competição acontecer no País. À época, depois de muita polêmica, ficou definido que o time teria três conjuntos ‘europeus’ escolhidos por critérios subjetivos e um ‘brasileiro’, que deveria passar por seleti

O premiado foi César Almeida, que, depois de ser o descarte do Brasil no primeiro dia de competições – e ouvir comentários maldosos -, garantiu o ouro por equipe ao País após uma pista sem faltas no Rio de Janeiro. A experiência, porém, não mudou a opinião do cavaleiro paulista de 51 anos.

Por seguir discordando do método de seleção da CBH, Cesinha, como é conhecido, nem cogitou disputar a vaga olímpica para os Jogos de Londres, mesmo que agora o processo conte com mudanças: 15 conjuntos disputam seletivas no Brasil e os três melhores vão para Europa para participar de treinamentos com os outros sete cavaleiros ‘estrangeiros’. Lá, os cinco representantes do País (quatro titulares e um reserva) são escolhidos por meio de uma comissão julgadora composta por cinco pessoas (além de Luiz Rocco; Caio Carvalho, diretor de salto; Antonio Alegria, assessor técnico; Jean Morris, técnico; e o presidente Luiz Roberto Gi

‘Resolvi não fazer mais parte disso tudo. Ao chegar lá na Europa, os brasileiros são colocados de escanteio. E descontente ninguém trabalha bem’, reclama Cesinha, que viu, então, José Roberto Fernandez Filho, Yuri Mansur e Francisco José Mesquita Musa migrarem do Brasil ao Velho Continente ainda sonhando com uma vaga em Londres.Apesar do descontentamento, a realidade deve se manter a mesma. Questionado se teria como desenvolver o hipismo no Brasil a tempo dos Jogos do Rio de Janeiro-2016, Luiz Rocco foi pessimista. ‘Não adianta, isso não vai mudar. É uma coisa cultural. No Brasil, são três mil cavaleiros em atividade, contando todas as categorias, enquanto na Alemanha são 700 mil. Lá o hipismo só perde para o futebol. Por isso, não dá para comparar’, esclareceu o dirigente, que teve a concordância de Cesinha. O cavaleiro, contudo, transferiu a responsabilidade pelo atual panorama da modalidade à própria CBH.

‘Tem muita diferença , mas o maior culpado por isso é a Confederação. Eles não fazem concursos pensando na nossa evolução. Eles abusam de provas de velocidade, obrigando nossos cavalos a serem mais baixos, perdendo, com isso, potência’, apontou. ‘A gente também não tem patrocínio, tem que viver dos prêmios das competições, o que não é muito’, completou.

De forma polêmica ou não, a equipe brasileira será definida em 17 de junho e, assim como o futebol masculino, viaja para a Londres pressionada para subir ao lugar mais alto do pódio. ‘Independentemente de quem irá nos representar, o Brasil vai atrás da medalha de ouro’, sentenciou Luiz Rocco.