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Calejada após sumiço de vara em Pequim, Murer evitar falar em ouro

Após conquistar o ouro no Mundial de Atletismo em Daegu, na Coreia do Sul, em agosto, Fabiana Murer consolidou-se entre as favoritas do salto com vara para as Olimpíadas de Londres, em 2012. No entanto, a brasileira está calejada após o sumiço de uma vara nos Jogos de Pequim, em 2008, e mantém os pés no chão.

‘É complicado falar em ganhar o ouro (risos). A disputa é muito grande e meu objetivo é ganhar uma medalha na Olimpíada, não importa a cor’, pondera a atleta, que foi às lágrimas ao deixar escapar até o bronze há quase quatro anos.

Na ocasião, ao perceber que uma de suas dez varas havia sumido, Fabiana discutiu com os árbitros da prova e chegou a se posicionar de forma a impedir que suas concorrentes saltassem. Depois de muita confusão, tentou atingir os 4,65m sem o equipamento adequado e fracassou em três tentativas. Naquele ano, ela já havia atingido os 4,80m, abaixo apenas dos índices da russa Yelena Isinbayeva (5,05m) e da norte-americana Jennifer Stuczynski (4,92m).’Isso foi há quase quatro anos, faz tempo. Já passei por muitas coisas nesse ciclo olímpico e é lógico que aprendi com o que aconteceu. Procuro estar sempre mais atenta. Antes de fazer o aquecimento, já olho se as varas estão na pista, sempre confiro o colchão, se está legal. Fiquei muito mais atenta, mas sempre tive os pés no chão’, lembra a brasileira.

Agora, mesmo já tendo atingido os 4,85m, Fabiana Murer é extremamente cautelosa. ‘Faço tudo passo a passo. Primeiro vou ter que classificar para a Olimpíada. Já tenho o índice, mas a CBAt exige que eu confirme no ano que vem. Depois, em Londres, vamos pensar na qualificação, que é uma prova nervosa, e aí sim focar a final e a medalha’, emenda, antes de apontar justamente Yelena Isinbayeva e Jennifer Stuczynski como maiores adversárias.

‘A Yelena, apesar de não ter ido bem no ano passado e nesse, pode saltar alto. Ela é uma atleta muito perigosa, experiente, recordista mundial e duas vezes campeã olímpica, vai querer o terceiro título. A Jennifer saltou bem ano passado e nesse, é vice-campeã olímpica. São as duas principais, as outras estão meio niveladas’, raciocina.

Murer se coloca abaixo das duas favoritas e se diz em igualdade de condições à alemã Martina Strutz, vice no Mundial, e à cubana Yarislei Silva, campeã pan-americana em Guadalajara. ‘Sempre penso que tenho que trabalhar mais, que tenho que alcançar essas atletas’, conclui.