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Valesca sobre projeto de criminalização do funk: ‘absurdo’

Anitta, Buchecha, MC Koringa e Tati Quebra Barraco foram convidados por Romário para participar de debate no Senado

Diversos cantores como Anitta, Valesca Popozuda, Buchecha, MC Koringa e Tati Quebra Barraco foram convidados para participar de uma audiência pública no Senado Federal que discute criminalizar o funk no Brasil. O convite para a reunião partiu do gabinete do senador Romário (PSB-RJ) e o debate deve ocorrer nas próximas semanas na Comissão de Direitos Humanos.

“Eu, como carioca nato e eterno funkeiro, faço questão de defender essa bandeira. A ideia é convidar o maior número de pessoas que fazem parte deste segmento no nosso País”, declarou Romário, durante sessão do Senado na última quarta-feira, 21.

Nomes do cenário do funk nacional se posicionaram contra a proposta. “Isso é um retrocesso enorme. O funk é cultura, é trabalho e gera emprego como qualquer outro ritmo. É triste ver o país no caos em que está e as pessoas se preocupando em criminalizar algo que não incomoda ninguém”, afirmou a cantora Valesca Popozuda.

A funkeira declarou que ainda não recebeu uma convocação formal para a audiência, mas está disposta a discutir o tema. “Basta um convite formal e vou lutar contra esse total absurdo que querem fazer”, avisou.

 

A ideia foi levantada pelo empresário paulista Marcelo Alonso no portal e-cidadania e ganhou a assinatura de mais de 20.000 pessoas favoráveis à criminalização do movimento. O próprio idealizador da petição também foi chamado para a discussão em Brasília.

O cantor MC Koringa foi outro músico que declarou seu repúdio à ideia. “Por que não se fala do bem que o funk faz. Quantas pessoas dependem direta e indiretamente do funk? Cantores, DJs, operadores de som, técnicos de luz, gráficas que fazem convites para festas, aqueles que vendem comida do lado de fora dos bailes. Se você tirar isso delas, essas pessoas vão buscar outros recursos e podem até parar na criminalidade”, ressaltou.

“Eu tive a oportunidade de falar por telefone com o senador [Romário] e me coloquei à disposição. Quem está com a cara no movimento e é nacionalmente conhecido, precisa se manifestar”, completou o músico.

A cantora Anitta, em sua conta no Twitter, já havia feito duras críticas à proposta. Ela se referiu aos assinantes da petição como ‘desinformados que precisam sair do conforto dos lares para conhecer um pouco o nosso País’.

Também convidada à discussão, a antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora do livro A Estética Funk Carioca, Mylene Mizrahi vê o debate como questionável e sem legitimidade.

“Você não pode dizer que 20.000 assinaturas sejam uma grande adesão. O que deveria ser discutido são as formas de exclusão da nossa sociedade, a homofobia, o racismo. Querer criminalizar um movimento é colocar uma camisa de força na cultura popular. É ditatorial”, analisou. “Com o funk você pode falar sobre qualquer coisa, pode abordar inúmeras perspectivas. Hoje em dia, existem, por exemplo, inúmeros funks com temática feminista”, lembrou.

A pesquisadora ainda confirmou que a provável data da audiência é 12 de julho. Além dos nomes citados, também foram convocados os artistas Buchecha, Tati Quebra Barraco, MC Marcinho (autor de Glamurosa), Cidinho e Doca (compositores do Rap da Felicidade), MC Bob Rum (Rap do Silva), Hermano Vianna (autor do livro O Mundo Funk Carioca) e Carol Sampaio (idealizadora do Baile da Favorita). Procurado pela reportagem, o empresário Marcelo Alonso não quis comentar a proposta.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. oneias cezar filho

    Vivo bem próximo a baile funk. É, sim, uma tremenda apologia ao crime, especialmente ao tráfico de drogas, um descaminho para adolescentes e jovens. Outro afato inegável, sei do que falo, é o inferno que criam para vizinhos, às vezes de até 1 km do maldito baile. Tenho uma família amiga, com um idoso doente, que mora a uns 100 metros do maldito baile. Em noite de funk, a casa deles vira um inferno. São jovens fazendo sexo em seu portão, urinando, etc. É só pegar os senadores e leva-los para passar uma noite numa casa vizinha a esses bailes, isto será bem mais prático que audiência pública.

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  2. José Antonio Debon

    Já esqueceram do jornalista Tim Lopes, hoje a própria Globo divulga esse tal de funk, o som dos traficantes,drogados e coniventes.

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  3. Raimundo Lulo

    o unico problema do funk é a lavagem de dinheiro feita por funkeiros para traficantes

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  4. Bruno Barabani Junior

    Mulher….Vc ” tem certeza” que essa coisa não incomoda ninguém???

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  5. A questão não é criminalizar o funk assim como não é para o crack. A solução é internar compulsoriamente os dependentes e empoderadas do funk. O Romário é caso perdido.

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  6. Sonny Burnett

    20.001.

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  7. Lendo essa proposta e alguns comentários recordo-me do tempo em que se perseguiam sambistas e tentaram de todas as formas criminalizar o samba. Não gosto de funk, mas não o reprimido, tampouco acredito que ele deva ser proibido, pelo contrário. Associar funk e violência é desconhecer totalmente a história. Por que o problema da violência nunca é vista pela ótica das famílias que não educam seus filhos, da desigualdade latente deste país e de tantos outros problemas?

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  8. heron Malaghini

    lixo mesmo

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  9. Ataíde Jorge de Oliveira

    Podem fazer a reunião aí mesmo, na
    Upp da CHATuba
    — sob as ordens do Imperador ADRIANO

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