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‘Selma’ traz Martin Luther King como protagonista pela 1ª vez

Líder do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos chega, finalmente, ao papel principal em Hollywood

Aclamado por sua luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e condecorado com o Nobel da Paz em 1964, o ativista e pastor Martin Luther King Jr. deixou um legado digno de roteiro no cinema. Porém, Hollywood não deu a devida atenção. A vida e os ensinamentos de King ficaram relegados a tramas secundárias, que jogavam o personagem na mão de atores coadjuvantes, como uma sombra de outras histórias. Foram necessários quase 50 anos após seu assassinato para esse erro ser reparado.

Selma – Uma Luta pela Igualdade, da diretora Ava DuVernay, foi o encarregado de tirar o pó da história e colocar o nome de King na calçada da fama da indústria cinematográfica, com David Oyelowo no papel principal. O filme, que chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, acompanha um trecho da vida do líder do movimento negro em 1965, quando ele organiza uma marcha pacífica em Selma, cidade do Alabama, que deveria seguir em uma caminhada de cinco dias até Montgomery, capital do Estado. O intuito da manifestação era fazer valer a lei que autorizava o voto de negros, direito que era negado no sul racista.

Entre as marcas deixadas pelo processo está o assassinato do jovem Jimmie Lee Jackson, aos 26 anos, por policiais que reprimiam os manifestantes, e o “Bloody Sunday” (domingo sangrento, em português), como ficou conhecido o confronto do dia 7 de maio. Na data, cerca de 600 pessoas em uma marcha pacífica foram atacadas pelo comboio do xerife Jim Clark (Stan Houston) na ponte Edmund Pettus, com cassetetes, gás lacrimogêneo e tropa montada. O conflito foi amplamente divulgado na imprensa, o que levou centenas de simpatizantes, negros e brancos, a se unirem ao grupo em Selma pouco tempo depois.


Apesar de cometer alguns pecados, que levam o filme aos clichês típicos de cinebiografias dramáticas, como trilha sonora melosa e abuso de câmeras lentas, Ava se mostra segura na direção. O projeto que demorou cerca de sete anos para sair da gaveta era, inicialmente, responsabilidade do cineasta Lee Daniels (Preciosa), que deixou o cargo para assumir O Mordomo da Casa Branca (2013). Ava conquistou o posto e chegou a ser cotada pela crítica americana como uma futura concorrente na categoria de melhor diretor no Oscar, mas, assim como Oyelowo, acabou esnobada. A produção conquistou duas vagas na premiação: melhor filme e melhor canção original para a belíssima Glory, de John Legend e Common.

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A rejeição da cineasta entre os indicados ao prêmio pode estar ligada às críticas que o filme tem enfrentado, entre elas, a mais grave, é a maneira como o presidente Lyndon Johnson foi apresentado. Vivido por um ótimo Tom Wilkinson, Johnson é o antagonista da trama, que trava embates acalorados com King. Porém, historiadores afirmam que esse drama nunca aconteceu. E que sem o presidente, a população negra americana demoraria mais alguns anos para conquistar o direito ao voto.

‘Boyhood’

Boyhood – Da Infância à Juventude é uma ousada produção do diretor Richard Linklater, que acompanhou a vida de um grupo de atores durante 12 anos, para mostrar o rito de passagem de um garoto para a vida adulta. O projeto venceu o Globo de Ouro na categoria de filme dramático e conquistou seis indicações ao Oscar 2015. O filme está em cartaz desde outubro de 2014.

‘Birdman’

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), dirigido por Alejandro G. Iñárritu, conta a história de Riggan Thomson (Michael Keaton), um ator famoso por interpretar o super-herói Birdman no cinema nos anos 1990, que agora tenta ganhar prestígio com uma peça na Broadway. O longa foi um dos mais indicados ao Oscar 2015, com nove categorias, e saiu vencedor em duas no Globo de Ouro, com melhor roteiro e melhor ator em comédia para Keaton. No Brasil, Birdman está em cartaz desde 29 de janeiro de 2015.

‘Sniper Americano’

Dirigido por Clint Eastwood, o filme é uma adaptação do livro Sniper Americano: O Atirador Mais Letal dos EUA (Intrínseca), e conta a história real de Chris Kyle (Bradley Cooper), atirador de elite das forças especiais da marinha americana que sobreviveu a quatro missões no Iraque. O filme chegou ao cinema no Brasil em 19 de fevereiro de 2015.

‘O Grande Hotel Budapeste’

Sob a direção de Wes Anderson, o longa acompanha M.Gustave (Ralph Fiennes), gerente de um hotel na fictícia República de Zubrowka, e seu fiel amigo, o jovem empregado Zéro (Tony Revolori). O Grande Hotel Budapeste se passa no período entre as duas guerras mundiais e consta nas peripécias vividas pela dupla o roubo de uma valiosa obra do Renascimento e as transformações do cotidiano durante a primeira metade do século XX. O filme está em cartaz no Brasil desde julho de 2014.

‘O Jogo da Imitação’

Mortem Tyldum dirige a cinebiografia do matemático Alan Turing (Benedict Cumberbatch), importante personagem que contribuiu com seus conhecimentos de lógica, criptografia e ciência para decifrar o código da Enigma, uma máquina utilizada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Acredita-se que as ações de Turing encurtaram a guerra em cerca de dois anos. Contudo, o matemático tem um fim trágico e acaba condenado pela Grã-Bretanha por ser homossexual. O filme chegou aos cinemas brasileiros em 29 de janeiro de 2015.

‘A Teoria de Tudo’

Baseado na biografia A Teoria de Tudo: A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking (Única), o filme do diretor James Marsh apresenta um olhar sobre a vida do físico interpretado por Eddie Redmayne. A trama acompanha um longo período da trajetória de Hawking, que abrange suas descobertas, seu relacionamento com a esposa Jane (Felicity Jones) e a  convivência com a doença que lhe tirou os movimentos do corpo e a fala. No Brasil, o filme estreou em 29 de janeiro.

‘Selma’

O longa, dirigido por Ava DuVernay, apresenta as campanhas para assegurar a equidade dos direitos de votos dos negros americanos realizadas por Martin Luther King (David Oyelowo), em 1965, entre as cidades de Selma, interior do Alabama, até a capital, Montgomery. O filme chegou ao Brasil em 5 de fevereiro de 2015.

‘Whiplash’

Em Whiplash: Em Busca da Perfeição, o diretor Damien Chazelle mantém o foco no relacionamento entre um jovem baterista e o seu mentor, um professor de jazz que não mede esforços para elevar ao máximo o potencial do seu aluno. O filme está em cartaz desde 8 de janeiro de 2015 nos cinemas brasileiros.